Argentina

Senha Aberta – Segunda    Afinação – Argentina

 

 

Segunda Afinação: Argentina

 

São resultados deste projeto:  Pesquisa literária, musical e audiovisual; pesquisa e produção de conceitos, imagens, projetos e sites afins; estandarte; diário; fotografias; vídeos; entrevistas; sons; percursos; rotas; caminhos; mapas; blog; vivências e relações.

 

Pauta: Argentina.

A Argentina, oficialmente República Argentina, tem como sua capital a Cidade Autônoma de Buenos Aires. É o segundo maior país da América do Sul, com território de 2.780.400 km².

 

A área continental da Argentina está entre a Cordilheira dos Andes a oeste e o Oceano Atlântico a leste. Faz fronteira com Paraguai e Bolívia ao norte, Brasil e Uruguai a nordeste e com o Chile a oeste e sul.

 

Sua população, estimada pelo senso de 2012, é de 41.281.631 habitantes, que têm como língua oficial o espanhol.
Segundo os dados de 2013 o IDH argentino é de 0,808.

 

Moeda: Peso Argentino (ARS).

 

Fuso horário: UTC-2.

 

A colonização espanhola da Argentina iniciou-se em 1512.

 

O país é formado por 23 províncias e a Cidade Autônoma de Buenos Aires, sua cidade mais populosa, e Capital Federal, tem cerca de 13 milhões de habitantes.

 

A organização política atual do país data de 1861, após longas lutas pela indenpendência da Espanha e uma guerra civil. Durante todo o século XX, a Argentina foi palco de inúmeras crises econômicas e de várias ditaduras.

2-mapa da argentina cópia

Atividade do Projeto Senha Aberta: Residência artística no Dispositivo Artístico Demolición/Construcción, na Vila Cabana, Unquillo. Província de Córdoba. Argentina.
Período: de 03.10 a 13.11.2014.
 
Música seminal: Los Hermanos 
Compositor: Atahualpa Yupanqui.
 
Yo tengo tantos hermanos
que no los puedo contar.
En el valle, la montaña,
en la pampa y en el mar.
Cada cual con sus trabajos,
con sus sueños, cada cual.
Con la esperanza adelante,
con los recuerdos detrás.
Yo tengo tantos hermanos
que no los puedo contar.
Gente de mano caliente
por eso de la amistad,
Con uno lloro, pa llorarlo,
con un rezo pa rezar.
Con un horizonte abierto
que siempre está más allá.
Y esa fuerza pa buscarlo
con tesón y voluntad.
Cuando parece más cerca
es cuando se aleja más.
Yo tengo tantos hermanos
que no los puedo contar.
Y asi seguimos andando
curtidos de soledad.
Nos perdemos por el mundo,
nos volvemos a encontrar.
Y asi nos reconocemos
por el lejano mirar,
por la copla que mordemos,
semilla de inmensidad.
Y asi, seguimos andando
curtidos de soledad.
Y en nosotros nuestros muertos
pa que nadie quede atrás.
Yo tengo tantos hermanos
que no los puedo contar,
y una novia muy hermosa
que se llama ¡Libertad!
 

Pauta: A canção ‘Los Hermanos’

Composta por Atahualpa Yupanqui, tornou-se uma das principais músicas dos povos em luta pela democracia durante os períodos ditatoriais da América Latina, a partir da década de 60, do século XX.
 

Conceitos em Los Hermanos:

 Hermano (irmão):
Aquele que, em relação a outrem, é filho do mesmo pai e/ou da mesma mãe; pessoa a quem alguém se liga para um fim comum ou ajuda mútua ou a quem se considera unido por sentimentos de fraternidade universal. (HOUAISS, A.; VILLAR, M. S.; FRANCO, F. M. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Objetiva, 2001, p. 1650). 

 

O senso de irmandade, de companhia ideológica, de afinidade política. Para mim, essa é a palavra-chave da canção, que me fez compreender a universalidade da problemática capitalista e, em especial, perceber nossa proximidade com outros países da América Latina, penetrados pelo imperialismo norte-americano, mas não só esses, como tantos outros países… e naquele momento, (décadas de 60 a 80 do século XX), pelos movimentos de libertação de Cuba, Portugal e Vietnã, a Revolução Russa, a luta anti-apartheid da África do Sul, as ditaduras do  Brasil, Chile e Argentina, e a necessidade de nosso envolvimento em lutas libertárias.

 

Hoje, nossos sentimentos de irmandade permanecem fundamentais nos debates acerca do domínio das grandes corporações multifacetárias e em nossas lutas locais e globais.
 
Amistad (Amizade):
A camaradagem. Os camaradas Lenin, Ho-Chi-Mim, Fidel, Che, Allende, Galeano (entre tantos outros)… na busca de novos formatos de sociedade, que sejam justos para todas as pessoas, para o planeta e todos seus componentes.
Horizonte abierto (horizonte aberto):
O horizonte como lugar aonde ir, aonde a caminhada inevitavelmente nos levaria ou nos leva. Este mesmo horizonte que, como nos fala a canção, se afasta a cada vez que tentamos nos aproximar. O horizonte como meta, objetivo, mesmo inalcançável, mas que nos faz caminhar.

 

 Voluntad (Vontade):
A energia, a máquina geradora da ação. A vontade de perceber e fazer perceber a necessidade da mudança. A força interna que mobiliza, une e reúne, como uma necessidade do tempo presente.

 

Link: Los Hermanos, com Atahualpa Yupanqui.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=h1IA2t7IdMY>

Acesso em: 07 set 2014.

 

Na área destinada a links e referências estão várias outras gravações de Los Hermanos, outras canções deste compositor, e outros links relacionados com este projeto.

 

 Tema dominante: Ditadura Civil-Militar da Argentina (1976-1983).

 

Pauta: Ditadura Civil-Militar na Argentina.

Conceito: Ditadura.
Governo autoritário exercido por uma pessoa ou grupo de pessoas, com supremacia do poder executivo, e em que se suprimem ou restringem os direitos individuais. (HOUAISS, A.; VILLAR, M. S.; FRANCO, F. M. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Objetiva, 2001, p. 1062).

Creio que uma forma de vida, uma política supostamente democrática, pode, em última instância, também ter caráter de ditadura. Como, por exemplo, a ditadura do sistema capitalista sobre tudo e todos que dele fazem parte.

 

A ditadura civil-militar argentina, denominada pelos militares de ‘Processo de reorganização nacional’, durou de 1976 a 1983, e produziu a mais cruel eliminação de opositores e não simpatizantes, na América Latina no século XX.

 

Após o término da II Guerra Mundial, passamos a viver a ‘Guerra Fria’, quando o mundo foi, praticamente dividido em dois blocos, os pró-soviéticos e os pró-norte-americanos.

 

Militares de vários países instauraram ditaduras cruentas e perseguiram, de diversas formas, todos os seus opositores, com o discurso de luta anticomunista. Operavam a partir de um aparato de terror e violência de Estado, com cerceamento de direitos sociais e políticos, e quase permanente Estado de Sitio.

 

Na Argentina são contabilizados 30.000 desaparecidos.

 

Em outubro de 1983, como consequência da perda da Guerra das Malvinas, e provocada por inúmeras manifestações populares, além de profundo desgaste internacional, a ditadura argentina cai, e acontecem as primeiras eleições democráticas do período pós-ditadura na Argentina.

 

Um resumo sobre a última ditadura argentina pode ser visto, com legendas em português em; ‘Documental Argentina no século XX – A Ditadura’

 

1/2 – Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ZUAte6bl7lQ>
2/2 – Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=sOjeVPmy6wI>
Acesso em: 05 fev 2015.

 

Algumas informações apresentadas nesses vídeos:
“A Junta de Governo militar – formada pelo exército, marinha e aeronáutica, era presidida pelo general Jorge Rafael Videla; Os militares denominaram a ditadura de ‘Processo de Reorganização Nacional’;
Apoiaram o governo militar – muitos civis, grupos financeiros, altos empresários, e grande parte da hierarquia da igreja católica;

 

 

Eixo principal da estratégia política da junta militar:
Eliminação de toda e qualquer atividade política, social e cultural considerada subversiva, ou seja que fosse contrária à forma de governo, ou que a questionasse.
Nesta lista de proibições foram incluídas a literatura latino-americana, o rock e a matemática moderna.

 

 

A junta militar dissolve o congresso, proíbe os partidos políticos e decreta o Estado de Sítio;
Instituíram como mecanismos de controle social: o medo, o silêncio e a suspeita;
Utilizaram a ‘Escola das Américas’, Instituto do Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América do Norte, fundada em 1946, situada no Panamá.
Em 1961, o objetivo oficial da ‘Escola’ passou a ser ensinar a ‘formação de contra-insurgência anti-comunista’.

 

Nesse período, a ‘escola’ treinou militares de diversos países latino-americanos a serviço das ditaduras. Estes foram, também, treinados pelo exército francês que havia usado diversas técnicas de tortura na recente guerra da Argélia;

 

 Foram criados os Centros Clandestinos de Detenção; A metodologia usada: sequestrar, torturar e ‘desaparecer’ os opositores ou não simpatizantes do regime.

 

Algumas características:

Aparelho repressivo secreto e ilegal;
Terrorismo de Estado;
Os torturadores chamavam a tortura de “meios especiais de interrogatório”;
Representantes da igreja católica confessavam prisioneiros torturados.

 

 Sobre o comprometimento de parte da igreja católica com os horrores da ditadura militar argentina, podemos ver: ‘Investigación Nacional. La complicidad de la Iglesia Católica durante la dictadur’
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=7XkQ1CDJTYg>
Acesso em: 05 out 2014.

 

Conceito: Desaparecido(a)
Que desapareceu, que deixou de estar à vista, que deixou de existir; extinto; diz-se de/ou indivíduo cujo paradeiro se desconhece, ou cuja morte se presume, embora não se tenha descoberto seu cadáver. (HOUAISS, A.; VILLAR, M. S.; FRANCO, F. M. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Objetiva, 2001, p. 995).
Belo Horizonte, 02.10.2014 (5ª feira)      
                               
1º Movimento                                                                            
Andante                                                                                     
Viagem de Belo Horizonte a Buenos Aires, pelo voo AR 2265, da Lineas Aereas Argentinas. Saída de Belo Horizonte às 01h55min. Chegada a Buenos Aires às 05h35min.

 

 

Buenos Aires, 02.10.2014 (5ª feira)          
                                                     
1º Movimento                                                                                            
Andante                                                                                               
Chegada a Buenos Aires.                                                                        
Alegro                                                                                                         
Aqui começo minha nova jornada.

 

 

2º Movimento                                                                                        
Andante                                                                                                             
Viagem de Buenos Aires a Córdoba, em voo das Lineas Aereas Argentinas. Saída e chegada tumultuadas, porque perdi o voo no qual deveria estar para Córdoba.
Chego a Córdoba cerca de 15h00min, após ter conseguido avisar sobre meu atraso.

3-ROTAS- BH-BA E BA A CORDOBA cópia

 

Córdoba, 02.10.2014 (5ª feira)      

 

                                                                                   

1º Movimento

Andante

Chegada a Córdoba.

 

Pauta: Córdoba

É a segunda cidade mais populosa da Argentina, e capital da província homônima. Tem 1.282.569 habitantes Foi fundada por Jerónimo Luis de Cabrera, em 1573, às margens do rio Suquía. Localiza-se a 713 Km ao noroeste de Buenos Aires.

 

 

Córdoba é culturalmente riquíssima. Na cidade funcionam muitos cinemas, teatros e salas de espetáculos.

 

 

Hisoricamente importante no que se refere às lutas populares, teve alto índice de repressão durante a última ditadura civil-militar argentina.

 

 

Alegro

Na chegada, sou recebida carinhosamente por Graciela de Oliveira (minha anfitriã) e Beatriz Pellegrino (escritora em residência artística no Demolición/Construcción).

 

 

 2º Movimento

Andante

Viagem de Córdoba a Unquillo, e de Unquillo até Vila Cabana.

 

Unquillo localiza-se na grande Córdoba, 24 km, no lado oriental das ‘Sierras Chicas’.         Inicialmente usada como residência de verão, para as classes altas da sociedade, hoje apresenta uma comunidade sólida e desenvolvida, de aproximadamente 15 mil habitantes.

4-mapa cordoba=-unquillo=- sem friso

Alegro

É bom chegar. Espero fazer o necessário para aprofundar minha compreensão, e ajudar a que outros compreendam a dimensão deste projeto.

5-mapa unquillo-vila cabana cópia

 3º Movimento 

Andante

Percurso entre Córdoba e Vila Cabana.

Alegro

O trajeto, entre o aeroporto e Vila Cabana é percorrido de carro, e dura cerca de 20 minutos, até chegarmos ao ‘Dispositivo Artístico Demolición/Construcción’, onde será minha residência artística para a segunda afinação do Projeto Senha Aberta, na Argentina.

Espaço

A reserva hidroecológica ‘Vila Cabana’ localiza-se nas serras de Córdoba, onde residem vários artistas, pesquisadores e ecologistas, que buscam mudar os paradigmas da vida contemporânea, e têm como perspectiva a preservação da Mãe Terra.

Adágio

Apesar de existir certa dependência de algumas facilidades existentes na cidade de Córdoba, A qualidade de vida nessa reserva é consideravelmente superior à dos grandes centros urbanos.

 4º Movimento
Andante
Jantar.
Alegro
Sou recebida para jantar na casa dos anfitriões. É delicioso sentir-se em casa!

Vila Cabana, 03.10.2014 (6ª feira)                                                                                        

1º Movimento

Andante

Reconhecimento da morada, arrumação de minha ‘habitación’, e compra de alimentos na mercearia da vila.
Alegro
Acordo cedo, com o sol na minha cara!

A imagem da janela do meu quarto é a que verei todas as manhãs, durante minha estada aqui, exceto pelas mudanças na luz, temperatura e água de chuva entre mim e o que agora vejo.

6-A PAISAGEM DA MINHA JANELA cópia

Pauta: ‘Demolición/Construcción’

“Dispositivo artístico multi-inter-disciplinar de ação/reflexão em
arte contemporânea, iniciado em 2007, por Graciela de Oliveira com assessoramento de Gerardo Mosquera.

 

Conta com a colaboração  permanente de Luis Gonzalez Palma, Soledad Sanchez Goldar e outros atores que se somam para colaborar em cada projeto. Promove a liberdade de questionar, intervir e dialogar com outros campos e grupos sociais. Baseia-se no princípio da semente que se desestrutura para germinar.

 

A demolição é parte da construção. Promove o pensamento independente e a educação para o desenvolvimento a partir da teoria, pratica artística, ensaio, improvisação, produção, pós-produção e outros.

 

Desde 2012 D/C tem a casa/estúdio ‘B’atz’ em Vila Cabana, Unquillo, que propõe residências artísticas, para compartilhar processos de arte/vida, dadas pelo azar dos encontros. É dirigida a artistas e pesquisadores.”

 

Disponível em: <http://www.demolicionconstruccion.com>

Acesso em: 01 mar 2015.

 

7-ESPAÇOS DA CASA-ESTUDIO- DC cópia

 

 2º Movimento

Andante

Reunião com Graciela de Oliveira.
Apresento o projeto com profundidade, e traçamos metas.

 

Alguns argentinos e argentinas relevantes, no âmbito da Segunda Afinação do Projeto Senha Aberta: Graciela de Oliveira

 

Graciela de Oliveira, nascida em  Misiones, Argentina. Arquiteta por formação. Atualmente, desenvolve tese de pós-graduação em antropologia social na Universidade Nacional de Córdoba, Argentina.

 

Entre os anos de 2002 e 2008, desenvolveu o projeto ‘Jerarquías de intimidad’ (Hierarquias de intimidade) para organizar a partir de uma leitura íntima, varias séries fotográficas de Luis González Palma – no processo em que tiveram dois filhos juntos. Em 2007, iniciou o projeto ‘Demolición/Construcción’ (D/C): dispositivo artístico no qual convida agentes a fazer ações diversas para ‘tempo específico’, em locais que são, eles mesmos, os objetos de reflexão.

 

Declarações de Graciela de Oliveira: texto sobre arte e artista. ‘Demolición/Construcción – Cadena de persecución’, lido de cela na ex-D2, de Córdoba.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=SRVh-0bgcws>
Acesso em: 12 dez 2014.

 

Alegro
Apesar de todas as dificuldades que vislumbro, sei que aqui terei as condições ideais para desenvolver este projeto. Sinto que, somente de casa (e estou em casa), poderei partir para essa jornada de escavar memórias de tempos sombrios.

 

 

Vila Cabana, 04.10.2014 (sábado)    

                                                                                 

1º Movimento

Andante

Viagem de Córdoba a Rosário, e de Rosári

8-ROTAS- CORDOBA ROSARIO- ROSARIO-JUNIN cópia

Foram 406 km da cidade de Córdoba até a cidade de Rosário, e 223 km de Rosário até Junin. Um dia inteiro na estrada!

O transporte e as estradas são excelentes.

 

2º Movimento

Andante

Chegada a Junin.

Alegro

Sou recebida pelo jornalista Hector Pellizzi, que já foi exilado político no Brasil, na cidade do Recife, onde viveu por mais de 20 anos, e onde, sem nos conhecermos, compartilhamos os mesmos lugares e várias atividades políticas.

 

Alguns argentinos e argentinas relevantes, no âmbito da Segunda Afinação do Projeto Senha Aberta:  Hector Pellizzi.

 

Jornalista, responsável pela publicação, em Junin, do jornal ‘La Voz de los Barrios’. ‘Madeira de lei, que cupim não rói’ é a melhor denominação para esse argentino de fibra, de honra, de caráter e comportamento ético. Mantém acesos os fundamentos de irmandade, solidariedade, compartilhamento e força política.

 

Ele tomou para si o Projeto Senha Aberta, e organizou palestra, na UNOVA. Agendou minhas saídas para fotografar o estandarte e a entrevista e seção de fotos com uma ex-prisioneira política, residente em Junin. Apresentou-me, com satisfação, para vários amigos.

 

Parece que nos conhecemos e nos amamos desde sempre! É aquela irmandade, da qual Atahualpa fala!

 

 Pauta: Junin

A cidade de Junin localiza-se na parte oeste da província de Buenos Aires. Sua população: aproximadamente 83.000 habitantes.

Andante
Chego no início da noite e me hospedo no Hotel Victória.

 

 

Junin, 05.10.2014 (domingo)

 

 

1º Movimento
Andante

Viagem de Junin a Los Toldos, cerca de 60 km, com Hector Pellizzi.

Los Toldos, 05.10.2014 (domingo)          

 

                                                                         

1º Movimento
Andante
Participação, com Hector Pellizzi, do ‘Encontro de Povos Originários’, para a ‘Cerimônia do Rebrote’, em saudação ao sol e à primavera, em Los Toldos, próximo a General Viamonte.

 

 

Conceito: Povos Originários
São os povos que já viviam nas Américas antes das invasões (‘colonizações’) europeias. Fazem parte da primeira essência do projeto na perspectiva da autodeterminação dos povos.

 

Sobre os povos originários: ‘Documental sobre los Pueblos Originarios de Tierra del Fuego Selk’nam’,

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=TUOnccpyOow>

Acesso em: 01 mar 2015.

 

 

Aqui apresento algumas informações sobre os povos Mapuche e Quechua:

 

 

‘Capitulo X: Mapuches I. La fuerza de la tierra’

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Ar_lWURCm20>

Acesso em: 01 mar 2015.

Alegro
Os povos ‘Mapuches’ foram praticamente dizimados durante todo o período de ‘colonização’ da Argentina e do Chile. Até hoje lutam para garantir algum espaço físico, social, político e cultural na Argentina.

Espaço
Vivencio significados para a ‘memória’, através do resgate de amplitudes ancestrais.

 

9-ENCONTRO DOS POVOS ORIGINARIOS cópia

 

Alegro
Participam da cerimônia cerca de 60 pessoas, para saudar o renascimento. Todo o ritual me conduz ao profundo senso de ancestralidade, na perspectiva de respeito à natureza e à justiça social.

 

 

Durante a cerimônia, organizados em um grande círculo, todos participam com direito a voz… dos mais idosos aos mais jovens.

 

Pode-se ouvir uma voz a cada vez. Fora isso, só os sons da natureza fazem parte do silêncio.

 

 

Nesses momentos, o imperativo da sociedade capitalista (consumismo) se contrapõe ao compartilhamento ancestral.

 

 

Creio que essa contradição sempre aconteceu, porém, ela vem se agravando nas últimas décadas. É nesse contexto que o discurso dos ancestrais ocorre frente a frente às experiências dos mais jovens.

 

Espaço
Para os mais idosos é sempre a tentativa de manter, ou retomar, os paradigmas que já encontram dificuldades de serem entendidos palas novas gerações.

 

10-CERIMONIA DO REBROTE=- POVOS ORIGINAIOS cópia

Essa imagem, para mim, poderia ter como legenda: ‘Asta la victoria! Siempre!”.

 

 

Conceito: Mapuches
A denominação Mapuche se origina da fusão de duas palavras, “mapu” – terra, e “che” – gente. Os mapuches falam língua Mapudungun (em português, “som da terra”). Para eles, ‘mapu’ designa a Terra, compreendida enquanto seus territórios tradicionais, contudo não somente no simples plano material.

 

A ideia de mapu faz referência ao tangível, ao material, e também à dimensão espacial que situa todas as dimensões da vida no universo, inclusive a transcendente (espaço físico e espaço metafísico), onde as forças do bem e do mal se complementam e interagem.

 

Os Mapuches são povos originários notadamente do Chile e da Argentina.

Alegro
“Não houve jamais rei que conseguisse sujeitar esta soberba gente liberta, nem estrangeira nação que se jactasse de haver pisado seus territórios, nem terra comarcana que ousasse mover-se contra ela ou levantar-lhe espada.
Essa gente sempre foi livre, indômita, temida, com lei própria e cerviz erguida.”
(La Araucana, poema de Alonso de Ercilla y Zúñiga, 1533-1594).

11-ENCONTRO DE POVOS ORIGINARIOS- BANDEIRAS cópia - Cópia

Informações mais completas sobre os mapuches estão disponíveis em.<http://www.anovademocracia.com.br/no-27/559-os-heroicos-mapuches>
Acesso em: 06 dez 2014.

 

Alegro
Artista Mapuche: Mapuche Wirin – La imágen. Eduardo Rapiman – pintor mapuche.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=_PfPgHtAXDs>
Acesso em: 06 dez 2014.

12-ORNAMENTO FEMININO MAPUCHE cópia

 

Sobre a mulher Mapuche: Beatriz Pichi Malen
Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=CXhTydv-Dkw>
Acesso em: 06 dez 2014.

 

 

Jorge Sanjinés, cineasta boliviano, fala sobre os povos originários e os invasores europeus.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=rPbLc_1VSdg>
Acesso em: 06 dez 2014.

 

 

Junin, 06.10.2014 (2ª feira)  

 

1º Movimento
Andante

 Alguns argentinos e argentinas relevantes, no âmbito da Segunda Afinação do projeto Senha Aberta: Oswaldo Bayer.

 

Historiador e Jornalista argentino, nascido em 1927. Ferrenho defensor dos povos originários. Anarquista convicto, acredita no socialismo sem ditadura do proletariado.

 

No programa ‘Esta Noche’, Gerardo Rozin entrevista a Osvaldo Bayer.                Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=2GY3McwBC8g>                       Acesso em: 03 mar 2015.

 

 

‘Awka Liwen Rebelde Amanecer’, de Osvaldo’ Bayer. 2010. (Filme completo).
Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=W-DdcqFoNjc>
Acesso em: 03 mar 2015.

 

 

Osvaldo Bayer, ‘Día de la diversidad cultural’
Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=XEaYoQNVb0A>
Acesso em: 03 mar 2015.

 


Espaço
O pai de Atahualpa Yupanchi era Quechua, portanto, parte dos Povos Originários. A vida e musicalidade de Atahualpa alimenta-se de profundo saber ancestral, conectado com as energias cósmicas.
Adágio
Tudo que circunda a pequena área Mapuche, Junin e suas redondezas, é a imensidão do agronegócio, e estou com os olhos e a boca ardendo por causa da quantidade de agrotóxicos no ar.

 

2º Movimento
Andante
Manhã divulgando minha palestra sobre o projeto Senha Aberta, a ser realizada na UNOVA.
Alegro
Fui entrevistada na ‘Radio Centro – 8.85’, ‘Radio Belgrano – 95,3’, e na TV América.

 

3º Movimento
Andante
Palestra na UNOVA, com o título ‘Fotografia e Música’.
Alegro
A palestra recebeu esse título ‘estranho’, porque o projeto Senha Aberta está inspirado em oito canções e, fundamentalmente, é um projeto fotográfico.

 

Juntamente com Hector Pellizzi, os professores da disciplina ‘Povos Originários’ participaram da organização da palestra.

 

A audiência, muito interessada, faz várias perguntas sobre o projeto Senha Aberta e acrescenta informações sobre a canção ‘Los Hermanos’.

13-apresentação do senha aberta em junin cópia

 

Espaço
A curiosidade é sempre: Como? Quem financia seu projeto? Por que você decidiu fazer esse projeto? Como você carrega as câmeras, o estandarte?                                      Levei as respostas desses aspectos, de caráter técnico e funcional, para o campo político, estratégico e também psicológico.

Adági
Eu não poderia esperar que as pessoas compreendessem, logo de saída, as questões essenciais do projeto, as minhas buscas mais interiores, pois eu mesma encontro-me no processo de percebê-las e de ser capaz de as  compartilhar.

Alegro
Deixei claro que projetos artísticos mantêm artistas vivos, e também mantêm toda a sociedade, a humanidade, vivas.

 

 

Junin, 07.10.2014 (3ª feira)      

 

                                                                                           

1º Movimento
Andante
Viagem a Agustín Roca, com Juan José Antonini, para fotografar o estandarte na casa onde Atahualpa Yupanqui viveu.

 

Pauta: Atahualpa Yupanqui

14-ATAHUALPA YUPANQUI cópia

 

Nasceu em Pergamino, Buenos Aires, em 31 de janeiro de 1908, e morreu em Paris em 23 de maio de 1992. Seu nome artístico foi escolhido em homenagem a Atahualpa e Tupac Yupanqui, os últimos governantes incas.

 

 

É considerado um dos maiores divulgadores da música folclórica da Argentina.

 

 

Filho de pai Quéchua e mãe Basca. Viveu dos 04 aos 13 anos de idade na estação ferroviária, em Agustín Roca, Província de Buenos Aires, onde seu pai trabalhava. Aprendeu a tocar violão aos nove anos de idade, em Junin. Admirava, profundamente, Pablo Nerruda e Jorge Luis Borges.

 

 

Sua musicografia e obra literária são amplas. Gravaram suas canções, entre outros: Mercedes Sosa, Alfredo Zitarrosa, Víctor Jara, Dércio Marques, Ángel Parra, Marie Laforêt e Elis Regina.

 

 

Sobre a vida e obra de Atahualpa Yupanchi, ver o filme ‘El Legado’, que apresenta o artista em toda  sua plenitude e simplicidade de homem do campo.

Trechos de suas falas: 

“A pessoa precisa de ser protagonista de sua própria vida.”;

“Meu pai era um homem simples. Tinha dois cavalos, três filhos e quatro baús cheio de livros.”;

“Meu pai dizia: ‘A força está na alma, não nas garrafas.’”;

“O que anda na cabeça se vai. O que entra no coração, fica, e não sai mais.”;

 

 

”Aprendi a tocar aos nove anos, em Junin. O meu profesor era severo e exigente. Eu pagava as aulas com trabalho no jardim da casa do professor.”;

 

 

“Cantar é rezar duas vezes. Uma a Deus, outra ao povo.”;

 

 

“A natureza não se busca nos livros. Se busca numa planta, nos caminhos, num pássaro, numa árvore, em si mesmo.”.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ijFETdUbF1c>
Acesso em 07 out 2014.

 

 

Alegro
Atahualpa canta em homenagem à sua mãe: ‘Mi oñases: La madre Basca’             Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=oih4kofIyM4>
Acesso em: 18 out 2014.

 

 

Canção de Atahualpa, dedicada a Pablo Neruda:
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=2G8k8lEa70g>
Acesso em: 18 out 2014.

 

 

Agustín Roca, 07.10.2014 (3ª feira)

 

 

1º Movimento
Andante
Fotografar o estandarte na Estação Ferroviária de Agustín Roca, onde Atahualpa Yupanqui viveu dos 4 aos 13 anos de idade.

Alegro
Inicio as fotos do estandarte, na minha segunda afinação do Projeto Senha Aberta, no exato ponto de partida e chegada: a estação ferroviária…

 

onde terminam
e começam
novos caminhares.

 

 

Adágio
A estação está, há muito tempo, desativada, contudo a energia viajeira desse lugar permanece. Tudo está praticamente intacto, em movimento. A memória é mais forte que a realidade. A herança subjetiva é mais forte que os movimentos corporativos para destruição da memória.

Alegro
Fotografo o estandarte junto ao poema de Atahualpa Yupanqui, pintado na parede da estação; em frente à estação; e junto ao marco em sua homenagem.

Adágio
Na estação, atualmente funciona o espaço cultural da cidade, onde se disponibilizam algumas reproduções de fotos históricas, livros e documentos.

Espaço
Onde é o lugar da utopia?
O meu lugar é aqui e agora, construindo, buscando senhas para a memória… e, nesse momento, seguindo alguns passos do autor da canção Los Hermanos.

Adágio
Quem, na música argentina, teria canções com a força política de Atahualpa Yupanqui, em Los Hermanos?

 

 

2º Movimento
Andante
Encontro com Leonor Palma
Alegro
Responsável pelos cuidados do espaço cultural da Estação Ferroviária, Eleonor vive em Agustín Roca. Sabe tudo sobre Atahualpa, e parece querer que passemos uma semana, o resto de nossas vidas, somente aqui, para que consigamos ver e ouvir todas as coisas, as histórias, as lendas.
Adágio

Ela fala: “Faço tudo a pulmão”… e isso é o que importa! Ela faz!
Apresenta-nos várias coisas de Atahualpa:

 

15-FRASE DE ATAHUALPA YUPAQUI cópia

 

“Viento de mi tierra. Viento legendário.
Cántaro cósmico.
Nido del Canto, del dolor transmutado,
la voz desvelada de los hombres que caminaron la pátria
com uma guitarra y uma copla-brújula y hechizo.
era mui niño cuando los paisanos me revelaron tu leyenda,
tu destino, tu mensage infinito.”

(YUPANQUI, Atahualpa. ‘El Canto del Viento’,  Nueva Editora Universitária. 2ª. Ed. Buenos Artes, 2012, p. 221).

 

Pauta: Livro ‘El Canto del Viento’, de Atahualpa Yupanqui

Livro de poemas, lendas e pequenos textos, onde Atahualpa canta ao vento, à natureza, à vida, aos poetas e cantores, e ao gaucho dos pampas argentinos.

 

Canta ao homem, ao trabalho e à liberdade.

 

‘Y cantaban las piedras’ – Poesia do livro ‘El Canto del Viento’                              Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=8nV53HyiWiQ>
Acesso em: 10 out 2014.

 

3º Movimento
Andante
Fotografar o estandarte no Ombú.
Alegro
A relação do projeto, com as árvores que são testemunhas oculares da história, simboliza, de alguma forma, a irremediável sobrevida de tudo que vivencia os acontecimentos históricos e as ações dos seres humanos no planeta Terra.

 

16-AGUSTIN ROCA- ESTAÇÃO E ARVORE

 

Alguns argentinos e argentinas relevantes, no âmbito da Segunda Afinação do Projeto Senha Aberta: Mercedes Sosa.

 

 

Nasceu na Província de Tucumán, Argentina, em 09 de julho de 1935, e morreu em Buenos Aires em 04 de outubro de 2009.

 

17-MERCEDES SOSA cópia

Fez parte do movimento ‘Cancion Nueva’.
Perseguida durante a última ditadura argentina, se exila na Espanha e França, de onde retorna em 1984, mesmo antes da queda do regime militar na Argentina.

 

Conhecida como ‘a voz dos sem voz’, gravou inúmeras canções que viraram símbolos das lutas libertárias na América Latina. Sua discografia é vastíssima.
Segundo suas palavras, “Me sinto orgulhosa de pensar no povo”.

 

 

Entrevista a Mercedes Sosa. Por Roberto Espinosa (Tucumán)
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=mEwPJbAaEZQ>
Acesso em: 12 abr 2015.

 

 

Mercedes Sosa ‘Algo mas que una canción’ Documental completo.
Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=Tz3f8KvMRQI>
Acesso em: 12 abr 2015.

 

 

Junin, 07.10.2014 (3ª feira)

 

 

1º Movimento

Andante 

Fotografar e entrevistar Susana Noemi Bogai.

Alegro

Encontro Susana no hotel onde estou hospedada. Ela é amiga de Hector Pellizzi.

 

 

Ex-prisioneira política, foi torturada durante a ditadura.
Seus grandes olhos prestam muito a atenção a tudo… vive cuidando de si, como se alguém estivesse prestes a capturá-la novamente.

 

 

É com grande receptividade e alegria que a recebo neste projeto, que, segundo ela própria, a ajuda a resgatar sua participação nas lutas.

 

 

Conceito: Preso político
O conceito refere-se a pessoas que são aprisionadas por discordar de governos, geralmente ditatoriais. Esses prisioneiros podem ou não ter participado de luta armada, ou ter como método de luta o pensamento, a palavra ou as obras.

A Anistia Internacional usa o termo ‘Prisioneiro de Consciência’, e não inclui nessa denominação as pessoas que participaram de algum tipo de luta armada, independente de ter sido ação de defesa ou ataque.

 

 

Hoje me pergunto: de quais armas essa consciência necessitaria para provocar reais transformações políticas e sociais?

 

 

Espaço

Susana Noemi Bogai propõe conexões indissolúveis entre liberdade e justiça, entre realização pessoal e social.

 

 

Conceito: Justiça
Qualidade do que está em conformidade com o que é direito; maneira de perceber, avaliar o que é direito, justo. (HOUAISS, A.; VILLAR, M. S.; FRANCO, F. M. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Objetiva, 2001, p.1696).

 

Engloba a capacidade social de possibilitar as mesmas regras e  tratamentos para toda a sociedade, e refere-se às questões políticas, sociais, econômicas e culturais, tais como: a distribuição de terra e renda, a universalização da educação e da saúde, e a diversidade cultural.
Em conclusão, o poder.

 

 

Alegro

Susana, a primeira mulher a ser entrevistada e fotografada nessa segunda afinação, direciona suas falas ao nosso grande ponto de encontro e de partida! O início de tudo e nossa missão social na Terra.

 

 

Junin, 08.10.2014 (3ª feira)

 

 

1º Movimento

 

Andante

Viagem de Junin a Buenos Aires.

 

18- ROTA- JUNIN - BUENOS AIRES cópia

Alegro

São pouco mais de 235 Km entre Junin e Buenos Aires.

A viagem me propicia momentos de profunda reflexão…

 

 

enquanto vejo…

a estrada passando,

as árvores passam…

os lugares passam…

penso sobre o estar aqui,

o agora,

o antes,

e, quem sabe,

o porvir…

19-PERCURSO JUNIN A BA cópia

Espaço

Planejo os próximos passos do projeto, e ‘visualizo’ as fotos que farei.                         Neste percurso, entre Junin e a Cidade de Buenos Aires, ocupo-me, essencialmente, em refletir sobre as falas de Susana (de Junin), com aprofundamentos em relação aos ideais das décadas de 60, 70 e 80, às nossas esperanças, conquistas, ‘derrotas’.
Será que perdemos a estrada? Que entramos em um desvio e nos afastamos do que seria sustentável?

 

 

Apesar das contradições que envolvem o pensamento de Jorge Luis Borges, no período da ditadura argentina, revisito aqui uma de suas frases:
“A vida é uma aventura impressionante. Estou comprometido com essa aventura.”. E, no meu caso, a minha aventura está intrinsecamente ligada à aventura sócio-política.

 

 

Buenos Aires, 09.10.2014 (5ª feira)

 

 

1º Movimento

Andante

Plaza de Mayo.

Alegro

Hoje amanheceu com chuva. Somente chove e chove. Não sei, ainda, como fotografarei as Madres da Plaza de Mayo.

Espaço

Chego à Plaza de Mayo na batida das 11 horas no relógio da Catedral de Buenos Aires.

 

Meu coração pulsa forte.

A Casa Rosada ao fundo.

Sólida, concreta, fria.

A catedral praticante ao lado,

na mesma praça.

Quem sabe…?

 

Adágio
Nesse exato momento, notícias comprovando a fragilidade dos processos democráticos latinoamericanos nos chegam do México. Estudantes normalistas ‘desaparecem’, transformando o horizonte em uma massa cinzenta, banhada de sangue! Filhos que serão buscados por suas mães!

 

 

Link noticiando o ‘desaparecimento’ de estudantes no México: ‘Asi Mataron y desaparecieron a 43 estudiantes normalistas de ayotzinapa em Iguala – cronologia’

 

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=lraF4wX5OqI>
Acesso em: 02 mar 2015.

 

 

¿Dónde están las luces?

¿Donde?

¿Donde?

 

2º Movimento

Espaço

Tarde na Plaza de Mayo.

Alegro
Choveu 
o dia inteiro nessa quinta-feira.
Com essas condições meteorológicas, as Madres, quatro ou cinco, deram somente uma volta na praça.
E eu aqui, com o estandarte, somente uma câmera no pescoço, um guarda-chuva, e a absoluta impossibilidade de operacionalizar essa ação, sozinha, no meio nesse toró…
Como milagre, ainda consegui fazer cerca de três fotos!

 

Quando cheguei ao hotell havia água em mim (até no caroço do olho!), no estandarte, na mochila, e na alça da câmera! Por pouco não molhei, também, a própria câmera!

Alegro

E as Madres, por todos esses anos, chovendo ou fazendo sol, estiveram aqui, em sua luta infindável!
A história das Madres de Plaza de Mayo me sensibiliza desde quando elas iniciaram suas ‘rondas’.

20-ANTECEDENTES HISTORICOS- EV E LAS MADRES

 Pauta: Madres de Plaza de Mayo.

Mães de pessoas ‘desaparecidas’ durante a última ditadura civil-militar argentina que, no sábado, dia 30 de abril de 1977, começaram a ‘circular’ na Plaza de Mayo, exigindo notícias de seus filhos e filhas (cerca de 30.000 desaparecidos).

 

 

Uma história concisa dos antecedentes e da luta das Madres pode ser visto em: ‘Historia – Madres de la Plaza de Mayo’.

1/3 – Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=GtI_IBMrjNY&spfreload=10>

2/3 – Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=F6WBnWae5fU>

3/3 – Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=fzuVQr0H5hE>

Acesso em: 18 fev 2015.

 

 

Três Madres, fundadoras da Associación Madres de Plaza de Mayo, foram ‘desaparecidas’ entre 10 e 18 de dezembro de 1977.

 

Azucena Villaflor de Vicenti:

Nascida a 07 de abril de 1924. Buscava por um de seus filhos, Néstor, e pela noiva dele, Raquel Mangin, ambos ‘desaparecidos’;

 

 

Esther Ballestrino de Careaga:

Nascida a 20 de janeiro de 1918, no Paraguay. Buscava por sua filha e dois genros. Apesar de sua filha, Ana Maria, ter sido libertada em outubro de 1977, ela continuava a busca “até que todos sejam encontrados”, segundo suas palavras.

 

María Eugenia Ponce de Bianco:

Nascida na Argentina, a 6 de julho de 1924.

 

21-MADRES DE PLAZA DE MAYO- DESAPARECIDAS cópia

 

Espaço

Fotografar o estandarte no momento em que as Madres ‘circulam’ é uma das ações mais emblemáticas do projeto na Argentina, pois elas representam luta, persistência e resistência.

Alegro

 

22- Simbolo das Madres da  cópia

 

As Madres começaram a abraçar as mesmas lutas pelas quais seus filhos e filhas haviam lutado e foram ‘desaparecidos’, e, dessa forma, em contrapartida, ‘eles as pariram’.

 

Elas proclamam a necessidade da sociedade civil saber qual o destino dado aos desaparecidos políticos.
Criaram um banco de DNA, que possibilita pesquisas por vestígios dos seus familiares.

 

São movidas pela memória de seus filhos e filhas, netos e netas, e agora buscam fazer parte, também, da história da vida de seus bisnetos e bisnetas.

 

 

Fazendo cálculos, hoje, 09 de outubro de 2014, completam-se 37 anos, 05 meses e 8 dias que elas começaram a ‘circular’. Afinando a contagem, são 15.676 dias de buscas.

Algum de nós já contou os dias entre os acontecimentos de nossas próprias vidas?

Adágio

Elas clamam por justiça. Como se ainda fosse possível fazer justiça, qualquer que seja o significado dessa palavra para cada uma delas.

Alegro

Através da realização de Emilio Cartoy Díaz, para a TEA Imagem e Radio TEA, foram produzidos vários vídeos em homenagem às Madres de Plaza de Mayo.

 

 

Depois de praticamente 20 dias pesquisando, escolhi alguns que listo aqui, em ordem alfabética, que podem ser vistos no ‘youtube’. Todos, na primeira parte, mostram imagens histórias das lutas por democracia, na Argentina e em outros países.

 

 

Aída Bortnik – Argentina. (Prólogo de ‘Cabalos Salvajes’, de Aída Bortnik)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=KfBjen6XVFw>

 

 

Andres Ciro Martinez – Argentina. (‘La pátria’, de Julio Cortázar)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=AOfllt7hDL8>

 

 

Antonio Birabent – Argentina. (‘Lo zar e la camisa’, de Leon Tolstoi)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Hjxp0ghZfz0>

 

 

Arnaldo André – Paraguai. (‘Caminante’, de Elvio Romero)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=hGA4Klcnv-g>

 

 

Benicio del Toro – Porto Rico. (‘Poema XXXVI a Emiliano Sapata’, de Pablo Neruda)   Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=fxnljVvo5Ig>

 

 

Bono – Irlanda. (Canção sem título)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=2c5sEU6z8ko>

 

 

Caetano Veloso – Brasil. (‘Volvo al sur’, de A. Piazzolla e F. Solanos)

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=K9Yqb5zZAxg>

 

 

Camilo Blajaquis – Argentina. (‘Sinfonía sobre la opresion’, de Camilo Blajaquis)

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=ODOWMWDxM9g>

 

 

Cecilia Roth – Argentina. (‘Mi Buenos Aires querido’, de Juan Gelman)

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=SSm2h-tFTVI>

 

 

Chico Buarque de Holanda – Brasil. (‘Angélica’)

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=RvGNOosIRkA&spfreload=10>

 

 

Cristian Aldana – Argentina. ‘Este es mi poema para las Madres’, (de Cristian Aldana)

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=oIlYBFfPqyc>

 

 

Damián De Santo – Argentina. (‘Siete poema de amor en la guerra’, de Paul Éluard)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=iC3B0yXseFM>

 

Dúo Karma – Cuba. (‘Ayudame a Mirar’, baseada em texto de Eduardo Galeano)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=B-xIFPEBvXU>

 

 

Eduardo Galeano – Uruguai. (‘El direcho de soñar’, de Eduardo Galeano)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=5S_sJHo1YWE>

 

 

Ernesto Cardenal – Nicarágua. (‘Canto Cosmico’, – frag. – de Ernesto Cardenal)

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=3oXHP9WSl00>

 

Esther Goris – Argentina. (‘Vamos a ver’, de Dardo Sebastian Dorronzoro)

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=J7gKJKgduGI>

 

 

Frei Betto – Brasil. (Comparação das Madres com a Pietá, de Michelangelo)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=RJ3AWLiFlbI>

 

Gustavo Napoli ‘Chizzo’ – Argentina. (Poema sem título)

Disponível em:<https://www.youtube.com/watch?v=6RYVmsgVHj0>

 

Harold Pinter – Inglaterra. (Poema sobre o não acreditar)

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=QlZlZT6FFOg>

 

Hector Alterio – Argentina.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=PQfDMOsDieE>

 

Hugo Ferreira – Paraguai. (‘Mi Pátria Soñada’, de Carlos M. Gimenez e Agustin Barboza)
Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=3S51GuRmozk>

 

Ignacio Copani – Argentina (‘Yo nunca me metí en política’, de Ignacio Coap      Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=a02VadxsVLk>

 

Inda Ledesma – Argentina. (‘Grito Hacia Roma’, de Federico Garcia Lorca)
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=K8zmC-wxxiA>

 

Jorge Boccanera – Argentina. (‘El sur salio a cantar’, de Jorge Boccanera)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ddlBnGHYJK0>

 

José Sacristán – Espanha. (‘Tiempo’, de Fernando Fernan Gomez)

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=hI-dOIEZ450>

 

José Saramago – Portugal. (Texto sem título)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=SUVD6pmj7ro>

 

 

Julieta Hanono – Argentina. (‘Los tiempos mezclados’, de JulietaHanono)

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=81z-pSv6PvI>

 

 

Leon Gieco – Argentina. (‘Mensajes del alma’)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=-JwdT1bwpNs>

 

 

Leonardo Sbaraglia – Argentina. (‘Masa’, de Cézar Vallejo – sobre o não haver cadáver dos desaparecidos)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=jKrLLTCPuFw>

 

 

Leticia Brédice – Argentina, (‘Gracias a la vida’, de Violeta Parra)

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=Gna0qZcGQ4o>

 

 

Lucas Carrasco – Argentina. (‘Poema a las Madres de Plaza de Mayo’, de Pedro Orgameide)

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=Mrjp_OcQFF4>

 

 

Maria Fiorentino – Argentina. (‘Eva’, de Maria Elena Walsh)

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=n29QjScskes>

 

 

Martin Sheen – (‘Death’, de Harold Pinter)

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=1erPLvgWNq8>

 

 

Norman Briski – Argentina. (sobre o Teatro Popular Octubre)

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=3eU4OPNDjT0>

 

 

Pablo Milanés – Cuba. (‘Yo pisaré las calles nuevamente’)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Bp17ADyUfa8>

 

 

Ricardo Darín – Argentina. (‘I queda prohibido’, de Alfredo C. Barredo – sobre a sociedade, a mentira)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=aom3rz5puYQ>

 

 

Ricardo Piglia – Argentina. (sobre poder e mentira)

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=O1ZwOK3tPnQ>

 

 

Rodrigo Noya – Argentina. (‘Yo no me arreglo solito’, de Hugo Miden. Sobre a solidariedade)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=5FFmgdzrnyg>

 

 

Rubén Blades – Panama. (‘Desapariciones’, de Rubén Blades)

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=Rb9s2SpKd9E>

 

 

Sergio Bizzio – Argentina.  (‘lloraría’, de Sergio Bizzio)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=cIObg6XrdDY>

 

 

Tabaré Cardozo – Argentina. (‘La Guerrera’, de Tabaré Cardozo)

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=ycACrJ2HQwc>

 

 

Víctor Casaus – Cuba. (‘La historia no es lo reino de la felicidad’, de Victor Casaus)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=lpU6pDmnbBE>

 

Víctor Heredia – Argentina. (‘Mandarinas’, feita para sua irmã, desaparecida durante a ditadura)

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=ybjm9QuSd9E>

 

 

Vittorio Gassman – Italia. (‘Hierro y pañuelo Blanco’- (legendado)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=2nND68ZwL6w>

 

 

Acesso em: 20 dias – fev 2015.

 

 

Espaço

Foram ‘desaparecidas’ cerca de 500 crianças, juntamente com seus pais, ou ao nascerem nas prisões. Elas foram ‘dadas’, ilegalmente, para adoção.
A busca por essas crianças encontra hoje eco em todo o mundo.
Cento e quatorze delas já foram recuperadas, apesar do silêncio dos sequestradores que dificulta esse trabalho de reconstrução familiar.

 

 

3º Movimento

Espaço

Estudar a problemática dos netos das Madres de Plaza de Mayo, que foram desaparecidos.
São chamados de ‘hijos’.

 

Conceito: Hijos
São os filhos e filhas de ‘desaparecidos’ e mortos durante a última ditadura argentina, que muito pequenos ou ao nascerem (quando suas mães estavam sequestradas), foram ‘apropriados’ e entregues a militares ou famílias de civis para serem por elas adotadas.
Os militares, segundo suas próprias palavras, tentavam ‘extirpar o vírus do comunismo’ dessas crianças.

Acredito que, por causa da ‘afinidade’ política entre os militares brasileiros e argentinos, no período das ditaduras, deve haver crianças que hoje vivem no Brasil, adotadas por brasileiros.

 

 

Ao longo dos anos, vêm sendo feitas campanhas para encontrar os ‘nietos’.
O chamado veiculado na televisão argentina, pode ser visto em: ‘Nietos nº 1 (TV Pública 13/08/2012):
Guillermo Rodolfo Fernando Pérez Roisinblit’.
Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=0x16KcqU7S4>
Acesso em: 24 jul 2014.

 

 

A música ‘?Y Vos Adonde Estás?’, de Lisandro Aristimuño, define um pouco a busca dos desaparecidos.
Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=l0CO7SrtMvY>
Acesso em: 10 out 2014.
Alegro
Até este momento, o último neto ‘recuperado’, Guido Carlotto, é filho de Laura, a filha ‘desaparecida’ de Estela de Carlotto  (atual presidente da Associación Madres de Plaza de Mayo).
Laura deu à luz quando estava no Centro Clandestino “La Cacha”, durante a ditadura, e foi assassinada.
Guido nasceu a 25 de agosto de 1978, é músico, e já havia se apresentado voluntariamente na Praça de Mayo, durante a ‘ronda’ das Madres.
Notícia do ‘reaparecimento’ de Guido Carlotto:

 

‘A alegria de encontrar um familiar desaparecido’

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=1DR3sszrGCg>

Acesso em: 01 mar 2015.

 

Entrevista – Ignacio Guido Carlotto – Onde ele se declara militante dos direitos humanos e participante da construção da memória coletiva. Ele tem consciência da relação do público/privado, da luta pública e internacional, das avós, e as relações mais íntimas com seus ‘novos’ familiares.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=6YtXTGmDg1U>

Acesso em: 01 mar 2015.

 

 

O que significa ser fruto de tamanha brutalidade humana?
Que dano profundo!
Que vida resta, a cada um(a) deles(as), para retomarem suas verdadeiras vidas?
Alguns depoimentos na direção de respostas podem ser vistos na série ‘Aca Estamos’, produzida por Barakacine e Safa Produciones S.R. I. – para Abuelas de Plaza de Mayo e Ministerio de Educación de la Nación, cujos links seguem:

 

 

Capitulo 1 – Catalina De Sanctis

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=zNDxe6Qn-0A&spfreload=10>

 

Capitulo 2 – Gabriel Cevasco

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=zOlue2PITqY&spfreload=10>

 

Capitulo 3 – Carlos Eliay Marcos Suárez Vedoya

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=WJwJGIIyQFE&spfreload=10http://www.youtube.com/watch?v=WJwJGIIyQFE&spfreload=10>

 

 

Capitulo 4 – Martin Amarilla Molfino

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=75Y6-SjiVXo>

 

 

Capitulo 5 – Juan Pablo Moyano y Mariana Zaffaroni

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=3JgN_4xrsHY&spfreload=10>

 

 

Capitulo 6 – Matias y Gonzalo Regiardo Tolosa y Leonardo Fossati

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=QpJknan_eFA&spfreload=10>

 

 

Capitulo 7 – Ezequiel Rochistein y Victoria Montenegro                                           Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=fYFzIlUjTBc&spfreload=10>

 

Capitulo 8 – Jorgelina Molina Planas y Pedro Nadal

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=PSX6Z1Muhr0>

 

 

Acesso em: 01 mar 2015.

 

 

4º Movimento

Andante  

Estudar a Operação Condor.

 

 

Pauta: Operação Condor

A Operação Condor, iniciada no Brasil, e formalizada em 1975, composta de Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai funcionava com troca de informações, técnicas de tortura, e entrega de prisioneiros que se opunham aos regimes militares desses seis países.
A ‘Operação Condor’ tratou pessoas, povos e situações diversas de forma uniforme. Foi o mais bem estruturado sistema repressivo, a ‘globalização’ latino-americana, que tentou ‘apagar’ totalmente os sonhos de uma geração.

 

 

Um apanhado interessante pode ser visto na série da Agência Brasil, com quatro reportagens sobre a formação da Operação Condor, e a participação do Brasil. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=7gX35htXVx8>
Acesso em: 12 de mar 2015.

 

 

 

Alegro
Acendendo luzes sobre a verdadeira história do final do século XX, na América Latina, começam a surgir trabalhos que valem a pena serem vistos.

 

 

João Pina, fotógrafo português, acaba de realizar projeto fotográfico e livro sobre a Operação Condor.

 

Aqui ele fala sobre seu trabalho, em matéria curta para a TV Folha; ’Operação Condor: As ditaduras latinoamericanas pelo olhar de João Pina’

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=248MBFynxME>

Acesso em: 12 mar 2015.

 

 

Debate na abertura da exposição de João Pina, no Paço das Artes, em São Paulo. ‘Operação Condor – Debate e Abertura da Exposição [Ao Vivo]’                     Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=P5N6SoBW-HE>
Acesso em 12 mar 2015.

 

 

Buenos Aires, 10.10.2014 (6ª feira)

 

 

1º Movimento

Andante

Visita guiada à Escola de Mecânica e Armada – ESMA.

Adágio

A visita, realizada com um guia, nos apresenta toda a história da ESMA.

 

 

Pauta: ESMA

A Escola de Mecânica e Armada – ESMA – Hoje Centro de Memória, foi uma escola para formação de oficiais da Marinha Argentina, onde paralelamente, durante a ditadura, funcionou o Centro Clandestino de Detenção, tortura e morte, conhecido como ESMA.
Cerca de 5.000 pessoas passaram pela ESMA, das quais 200 sobreviveram. Cada prisioneiro tinha um número, e seus nomes eram ignorados.

 

 

Na casa dos oficiais, o porão servia de sala de tortura. No 1º e 2º pisos moravam os oficiais, e o terceiro piso era conhecido como ‘capucha’.

 

 

Não existem palavras com as quais eu consiga descrever este lugar, e por isso faço a opção de postar o ‘Documenta’, no qual pode-se ver histórico sobre a ditadura militar argentina e a ESMA:

 

 

‘Documenta – ESMA’

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=5U2OeNlbkHs>

Acesso em: 11 out 2014.

 

 

Daqui da ESMA muitas pessoas saíam diretamente para os ‘voos da morte’.

 

 

 Pauta: Voos da morte.
Voos nos quais inúmeros prisioneiros foram levados em aviões militares, saídos do Aero Parque de Buenos Aires. Em certo ponto da ‘viagem’ essas pessoas eram jogadas ao rio da Prata ou ao mar. A altura, de onde ‘caíam’, transformava a água em sólido, matando as pessoas por traumatismo e não por afogamento.

 

 

Em 1977, apareceram vários corpos nas costas dos balneários atlânticos de Santa Teresita e Mar del Tuyú, cerca de 200 km a sul da Cidade de Buenos Aires. Alguns cadáveres foram enterrados como “NN” no cemitério de General Lavalle, mas previamente os médicos policiais que intervieram informaram que a causa de morte fora o “choque contra objetos duros desde grande altura”.

 

Sobre os voos da morte a declaração do ex-militar Adolfo Scilingo esclarece esse tipo de eliminação clandestina de opositores:

 

Caso Scilingo – ‘El alma de los verdugos’ – (Confesiones de Adolfo Scilingo)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=l0WjA6Dn89A>

Acesso em: 10 jan 2015.

 

 

Andante

Chegar até a ESMA.

Alegro

A ESMA está fisicamente distante do centro de Buenos Aires, onde estou hospedada. Apanho um táxi para chegar, pois necessito ‘ganhar tempo’.

Espaço

 Muitas pessoas jovens, de todas as partes do mundo, visitam este lugar de repressão e morte. Isso é importante na construção da esperança de que abusos ao  Direitos Humanos não voltem a acontecer.
Isso potencializa a luta contra os abusos que continuam acontecendo em diversas partes do mundo.

 

Adágio

Esta escola mantinha, ao mesmo tempo, as aulas funcionando e o centro de tortura e morte. Havia, inclusive, estudantes adolescentes que faziam a patrulha, sem saber, minimamente, o que realmente acontecia. Eles eram vistos pelos prisioneiros e chamados de ‘os verdes’, pela cor do seu uniforme escolar.

 

 

2º Movimento

Andante  

Fotografar o estandarte na ESMA.                                                                               Espaço

Após finalizar a visita guiada, retomo o percurso e faço fotos do estandarte na entrada principal; em frente à ‘casa dos comandantes’; no mural aos desaparecidos políticos; e ao pé de uma árvore (testemunha ocular – veterana desta história).

23- Escola de Macânica e Armada- ESMA I

 

3º Movimento  

Andante

Fotografo o estandarte junto a vários painéis de vidro, com fragmentos da carta de Rodolfo Walsh.

Adágio
Aqui, reflito exaustivamente sobre as atrocidades do poder.
Encontro-me sozinha nesse espaço imenso, olho para todos os lados e não vejo ninguém.

Na rua,

o barulho indiferente

do trânsito.

 

Imagino os torturadores

à espreita.

Olho ao redor

Sinto medo

Arrepios…

Medo por estar aqui…

Arrepios…

Medo por pensar…

Arrepios…

Medo por saber o que sei…

Arrepios…

Absolutamente só,

nessa imensidão

de vazio e de dor…

 

Medo de ter medo.

 

 

Adágio

Fico emocionada vendo aquelas palavras escritas na transparência do vidro.

Tudo transparente, somente os cegos de espírito não conseguem ver!

 

 

Aqui cantam comigo. ‘Daniel Viglietti – Otra voz canta’

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=evLQUqXWreQ>

Acesso em: 12 abr 2015.

 

 

Sobre a ESMA: ‘Lembranças de torturas’

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=K3um8cPT8bU>

Acesso em: 20 out 2014.

 

 

Alguns argentinos e argentinas relevantes, no âmbito da Segunda Afinação do Projeto Senha Aberta: Rodolfo Walsh.

 

 

Escritor e jornalista, militante comprometido com a política sociocultural de seu país.
Teve uma filha assassinada durante a ditadura argentina.
Em março de 1977, no aniversário de um ano do golpe militar na argentina, Walsh escreveu a ‘Carta aberta à Junta Militar’, e alguns dias após é morto pela ditadura.

 

 

Alegro

Rodolfo Walsh: exemplo de consciência e atuação política.

O programa ‘Filosofia aqui e agora’, de José Pablo Feinmann, que fala sobre os grandes pensadores de todos os tempos, apresentando escritos essenciais para pensar a história do mundo e da atualidade, numa perspectiva filosófica e dialética, nos oferece uma boa análise sobre a vida e a obra de Walsh.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=CUn25iCT4Q4>

Acesso em: 04 mar 2015.

 

 

Documenta – Rodolfo Walsh

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=kuB0OHu7I8U>

Acesso em: 14 out 2014.

 

 

Sobre Rodolfo Walsh. Resumo de sua vida: Rodolfo Walsh. Reconstrucción de un hombre: La carta – Canal Encuentro HD.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=6TwkwUGLE2E>

Acesso em: 14 out 2014.

 

 

Adágio

Carta de Rodolfo Walsh para sua filha Victoria, morta pela ditadura argentina:

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=8zH1euDxyhY>

Acesso em: 14 out 2014.

 

 

 Pauta: A “Carta Abierta a la Junta Militar” (Completa)                                            Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=5qzNsFC0nFU>                            Acesso em: 10 dez 2014.

Alegro

Senha Aberta com fragmentos da Carta de Rodolfo Walsh:

24- pronta com friso

Adágio

As vítimas da ditadura civil-militar argentina foram pessoas comprometidas com mudanças substanciais na sociedade argentina (intelectuais, estudantes, trabalhadores, artistas) e qualquer pessoa que simpatizasse com eles, ou que questionasse, de algum modo, o governo imposto.
A ditadura utilizou a arbitrariedade como sua lógica.

 

 

Poder-se-ia discutir quais as características, particularidades e diferenças entre ditadura de Estado, ditadura civil-militar, ditadura clandestina. Pretendo amadurecer essas ideias.

 

 

Neste momento, acredito que, na Argentina, a última ditadura foi tudo isso.

 

 

Buenos Aires, 11.10.2014 (sábado)

 

 

1º Movimento

Andante

Visita ao Parque de La Memória.

Alegro

Chego ao parque de táxi.

 

 

Pauta: O ‘Parque de La Memória – Monumento a las Víctimas del Terrorismo de Estado’

Espaço público, o Parque, de 14 hectares de extensão, às margens do Rio da Prata, localiza-se próximo à Cidade Universitária.

 

No Parque encontramos: conjunto de esculturas; sala PAyS (Presentes Ahora y Siempre); centro de informação sobre as vítimas de terrorismo de Estado e sala de atividades artísticas e culturais, além do espaço aberto, com gramado e algumas árvores.

 

 

Fico impressionada com os muros com nomes de desaparecidos.

 

 

Maiores informações sobre o Parque estão disponíveis em: <http://parquedelamemoria.org.ar>
Acesso em: 01 fev 14.

 

 

 

 

2º Movimento

 Andante

Fotografar o estandarte com as águas do Rio La Plata, ao fundo.
Alegro
Esta foto é dedicada aos companheiros e companheiras de luta que foram levados(as) nos ‘voos da morte’ e jogados nessas e em outras águas.

Adágio

Que forma brutal de voltar para as águas!

Andante

Fiquei assustada com a possibilidade do vento levar o meu estandarte para dentro das águas do rio… mas, felizmente, consegui amarrá-lo na grade. Mesmo assim, esses foram momentos de muita insegurança.

 

 

3º Movimento

Andante

 O estandarte nas pequenas árvores do Parque.
Alegro

A metáfora construída através das ‘árvores veteranas’, já foi utilizada por mim no projeto ‘Redescobrindo a Jornada de Meu Pai’, no qual trabalho a questão da cultura da paz.
O projeto se construiu através de minhas andanças em locais de referência da II Guerra Mundial, incluindo, entre eles, os em que meu pai, Gastão Veloso de Melo, Veterano da guerra, passou, na Itália, em 1945.

Adágio

Nostalgia futura: Do que estas árvores, aqui do parque, serão testemunhas?

25- PQ DE LA MEMORIA I- ARVORES E RIO LA PLARA cópia

 

4º Movimento

Andante

O estandarte junto ao muro com os nomes dos desaparecidos.

Adágio

São várias paredes, enormes, repletas da única coisa que sobrou de muitos deles:

O NOME.

 

Essas paredes são frias.

Frias como a pedra mais fria.

Frias como a morte mais morte.

 

26-parque de la memoria ii- homenagem aos desaparecidos cópia

 

5º Movimento

 Andante

O estandarte na obra de Norberto Goméz.
Alegro
Interação profunda com artista argentino.

 

 

6º Movimento

Andante

O estandarte na obra de Nicolás Guagnini.
Alegro
Gostaria de conhecer, pessoalmente, esses artistas.

 

27- PARQUE DE LA MEMORIA 00 COM AS OBRAS DE NORBERTO GOMEX E DE NICOLAU GUAGNINI cópia

 

 

Adágio

Para mim, este lugar não abre nem fecha questões. Deixa tudo como está. Tanto o que está fora, para dentro de mim, quanto o que está dentro de mim, para fora.

 

 

Ele acrescenta, sim, muito, à necessidade de ampliação de lugares de memória. É importante a interação do Senha Aberta com as obras de arte do Parque, com arte dos artistas que trabalham temas similares ao meu trabalho.

 

 

7º Movimento                                                                                                                          Andante  

ESMA

Alegro

Retorno à ESMA porque pretendo refazer algumas fotos.

Alegro  

A luz hoje está bem diferente e creio que farei fotos do estandarte com uma luz um pouco ‘melhor’ do que a de ontem… especialmente na carta de Rodolfo Walsh, que ontem tinha réstias de sol de quase final de tarde.
Adágio
A sensação de medo ainda me domina, mas não é capaz de me imobilizar.

 

 

O grito do silêncio

Neste espaço vazio

repleto de seres flutuantes

que explodiram para fora

de seus corpos

 

nus

 

torturados

pelas mãos impiedosas do carrasco.

 

Memórias que somente são possíveis

ao juntaram-se pequenos pedaços

como em uma colcha de retalhos

retalhados,

trazida à superfície

por mãos clarividentes

que são capazes de recordar

transformar os sentimentos

em sons, imagens, ações, possibilidades…

Caminhos.

 

28-Escola de Macânica e Armada cópia

 

Buenos Aires, 12.10.2014 (domingo)

 

 

1º Movimento

Andante

Fotos do estandarte na Plaza de Mayo.

Alegro

Hoje, sem chuva, a praça está cheia de luz e de gente de todas as partes do mundo.
Por ser domingo, as Madres não estão aqui.

 

 

Vejo a Casa Rosada ao fundo… Boto em uma única imagem: meu estandarte, o centro do poder, o espaço físico, historicamente, das concentrações e lutas populares, e a marca das Madres no piso da praça, resignificando a coragem e a resistência.                               Aqui, sublimar as perdas seria trair os ideais da geração que ‘sumiu’. Essa geração que deixou seu rastro espalhado por toda parte.

 

 

Minha utopia é que cada célula do sangue de cada um dos 30.000 ‘desaparecidos’ e mortos seja uma pessoa que luta contra a desigualdade, a intolerância, as ditaduras.

 

 

2º Movimento

Andante

O estandarte em frente à Casa Rosada.

Espaço  

A Casa Rosada e o estandarte são dois símbolos que se contrapõem entre o poder e o sonho.

O poder, com suas contradições.

O meu sonho, com o caminhar.

 

29-Casa Rosada e Plaza de Mayo cópia

 

 

Buenos Aires, 13.10.2014 (2ª feira)

 

 

1º Movimento
Andante
Viagem de Buenos Aires a Córdoba. Voo T1502.  Saída 8h25min. (Aero Parque). Chegada: 9h48mim. (Córdoba).

 

 

 2º Movimento

Andante

Viagem de Córdoba a Unquillo, e até Vila Cabana.

Alegro  

Retorno no exato dia do meu aniversário

dia de reflexões

de alegria por fazer as coisas nas quais acredito…

de estar aqui e agora realizando o Projeto Senha Aberta.

 

 

3º Movimento

Andante

Estudos sobre ‘memória’.

 

 

Conceito: Memória
Faculdade de conservar e lembrar estados de consciência passados e tudo quanto se ache associado aos mesmos; aquilo que ocorre ao espírito como resultado de experiências já vividas; lembrança, reminiscência; função geral que consiste em reviver ou restabelecer experiências passadas com maior ou menor consciência de que a experiência do momento presente é um ato de  revivescimento; termo geral e global que designa as possibilidades, as condições e os limites da fixação da experiência, retenção, reconhecimento e evocação; (HOUAISS, A.; VILLAR, M. S.; FRANCO, F. M. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Objetiva, 2001, p. 1890).

 

Alegro

Podemos analisar a memória individual e suas relações com a memória coletiva.

A memória de um indivíduo se fortalece quando encontra seus significados na memória coletiva. Como exemplo, quando buscamos a concordância do outro sobre determinados acontecimentos, ora por termos dúvidas de estarmos afirmando o que realmente vimos, ora, simplesmente, para fortalecermos nosso testemunho.

 

 

A construção de nossa memória individual está em constante processo de interação e construção coletiva.
Em momentos de terror, como no caso das ditaduras militares, tomando-se como referência as Madres de Plaza de Mayo, a construção da memória coletiva dependeu da reconstituição das partes, transformada em força que impulsionou o movimento pela mudança.

 

 

Essa memória não depende simplesmente do lembrar dos fatos ocorridos, mas, também, das novas abordagens que surgem dos novos fatores conjunturais que se juntam a essas lembranças.

 

 

“Para que nossa memória se auxilie com a dos outros, não basta que eles nos tragam seus depoimentos: é necessário ainda que ela não tenha cessado de concordar com suas memórias e que haja bastante pontos de contato entre uma e outra para que a lembrança que nos recordam possa ser reconstruída sobre um fundamento comum.” (HALBWACHS, Maurice – 1877-1945 –. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, 1990. 189 p. 47).

 

 

Disponível em: <http://www.patio.com.br/labirinto/memoria%20coletiva.html>          Acesso em: 02 set 2014). (Página, no momento, sem funcioanr)

 

 

Com o terror e o medo, estabelecidos durante as ditaduras e após a democratização silenciosa, comum a vários países latino-americanos, cada pessoa vitimizada, guardou para si suas memórias, e para se desprender delas é necessário torná-las públicas, para avançar no coletivo.

 

“As lembranças que nos são mais difíceis de evocar são aquelas que não concernem a não ser a nós, que constituem nosso bem mais exclusivo, como se elas não pudessem escapar aos outros senão na condição de escapar também a nós próprios.” (Obra citada. p. 50).

 

 

O avanço em direção à punição dos responsáveis pelas torturas e mortes na Argentina, somente se tornou possível quando as pessoas apanharam suas memórias, inclusive as coisas mais preciosas, mais difíceis de serem compartilhadas, referentes a si e aos seus, para as colocar na mesa, em um grande caldeirão coletivo, que ferveu e tomou força…
A esperança é que esse caldeirão fervente não evapore nunca!… a menos que sejam solucionadas todas as questões pertinentes ao desaparecimento de 30.000 pessoas.

 

 

 Vila Cabana, 14.10.2014 (3ª feira)

 

 

1º Movimento

Andante

Fotografar e entrevistar Beatriz Pellegrino

Alegro

Beatriz, uma de minhas companheiras de ‘residência artística’, é poeta. Permanecerá aqui por três meses, durante os quais trabalhará em sua obra literária.

Espaço

A minha pergunta, ‘O que une sua memória à sua esperança?’ desencadeia, em Beatriz, reflexões profundas, referentes ao seu processo criativo, sua experiência de vida, missão como ser humano, entre outras questões pessoais e sociais.

 

 

Trabalhando suas questões mais pessoais e íntimas, na busca de si mesma e de seus significados como ser humano, ela deposita sua esperança no ‘amor à vida’.

Adágio

Beatriz busca uma amiga para também participar do projeto.
Após concordar em participar, a senhora ‘F’ se arrepende, dizendo: ‘não tenho esperanças’…
E alguns dias depois descobrimos que a pergunta desencadeou nela processos mentais bastante perturbadores. Foi a ‘pergunta decisiva’, perante a qual ela percebeu o vazio profundo em que sua vida foi transformada.

Alegro

Ao refletir sobre essa resposta, o ‘nada’, poder-se-ia relacionar várias linhas de pensamento: imaginar o ‘não ter esperanças’ como ‘nada mais acontecerá em minha vida’; ou ‘não espero nada’. Em nenhum momento surge a ideia de ‘partir para a ação’, como possibilidade.

 

 

Pode-se, ainda, analisar mais profundamente a esperança do ponto de vista eclesiástico, o porvir referindo-se ao possível céu-pós-morte… Mas ainda restariam tantas outras formas de ver o tema, que, certamente, no processo deste projeto irão surgir!

 

Espaço
Esta senhora argentina é a figura que ficou silenciosa no projeto. Porém, o seu silêncio, a sua não-resposta está presente neste momento, apesar de seu nome desconhecido, sua foto inexistente, sua fala silenciada por uma escrita que não comporta o significado de sua resposta nem de sua voz.

Silêncio barulhento este!

 

Espaço
O ‘calar’ continua muito presente na sociedade argentina. Não há possibilidade de apagar a memória da repressão, e, por isso, muitas pessoas continuam com medo de falar sobre ‘certos assuntos’.

 

 

O Senha Aberta revira, revolve a possibilidade de pensar a não-existência da repressão.

 

 

Do silêncio,

rebrotar a palavra,

da palavra,

rebrotar a esperança

da esperança,

rebrotar o movimento.

E colher.

E colher…

E colher…

Questionamentos,

Ações,

Obras.

 

Para Heráclito, “Se alguém não tem esperança, não haverá o inesperado, pois ele é inadiável e de acesso difícil.”

 

Adágio

Algumas mulheres de minha geração, ao se voltarem sobre suas próprias memórias silenciadas, reviram sentimentos que as retiram de suas zonas de conforto… e as obrigam a depararem-se com o significado de seus vazios. Ao buscarem preencher esses vazios, solitária e silenciosamente, os fazem crescer, como um buraco de onde quanto mais se retira maior se torna.

 

 

Para que surjam necessidades de ressignificação, torna-se necessário fomentar novas esperanças, sair do padrão estabelecido, revolver as cinzas, refazer a fogueira. Creio que isso somente é possível no coletivo.

 

 

O professor português José Barata-Moura reproduz o pensamento de Hegel, sobre a memória, de uma maneira interessante: “Segundo Hegel, recordar é voltar ao interior das coisas para surpreender o que elas são em sua dinâmica, em seu desenvolvimento, em seu processo.”

 

Discutindo a memória, podemos ver José Barata-Moura, em sua palestra ‘Dialéctica da Memória’.

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=pgDugkpUdjA>

Acesso em: 14 out 2014.

 

Adágio                                                                                                                                    

Mordaça    

 

Retirar o açaimo

Que calou e cala

Nossa geração

Com o detonar das balas

E o retorcer de corpos

Nos porões.

E seguir,

E seguir,

Na luta.

 

Pois,

 

Alegro    

 

A onda

 

A onda anda

Aonde anda

A onda?

A onda anda

Ainda onda

Ainda anda

Aonde?

Aonde?

onda, a onda.”

(BANDEIRA, Manoel. Antologia Poética. Rio de Janeiro. Livraria José Olympio Editora. 7ª edição. 1974, p. 188).

 

 

Ao discutir sobre a esperança, o filósofo existencialista Jean Paul-Sartre fala, em entrevista a Benny Levy, em 1980:

 

“[…] Sempre pensei que todas as pessoas vivem com esperança, isto é, acreditam que alguma coisa que fizeram ou que diz respeito a elas, ou ao grupo social a que pertencem está se realizando ou vai se realizar e lhes será favorável, tanto a elas como às pessoas que constituem sua comunidade. Penso que a esperança faz parte do próprio homem. A ação humana é transcendente, isto é, visa sempre a um objetivo futuro a partir do tempo presente em que a concebemos e em que tentamos realizá-la; Ela situa seu fim, sua realização no futuro; e na maneira de agir está presente a esperança, isto é o próprio fato de estabelecer uma finalidade devendo ser realizada.” (SARTRE, JEAN-PAUL. A Esperança Agora, Rio de Janeiro. Ed. Nova Fronteira. 1992. p. 15).

 

 

2º Movimento

Andante

Voltando a falar da Casa Estúdio ‘Demolición/Construcción’.

 

 

30-A Casa-Estúdio

 

 

Alegro

Minha chegada aqui, quando vim do Brasil, foi tumultuada, pois segui para Junin e Buenos Aires, logo após ter chegado. Agora, assentada aqui, para ficar até o final de minha residência artística, volto a falar desse lugar.

 

 

A D/C pode ser considerada um facilitadora para os processos criativos.

Inserida na reserva ecológica da Vila Cabana, nos propicia vida calma, conforto, espaço físico e espiritual.

 

31-VILA CABANA- OUTUBRO 2014 cópia

 

Os(as) residentes são escolhidos(as) obedecendo a critérios de qualidade de seus trabalhos, e Graciela, responsável pelo projeto ‘D/C’, é uma grande arquiteta e artista. Um ser humano fantástico!

 

 

Para mim, não haveria melhor lugar no mundo para estar neste momento!
Minha tarefa árdua, por aqui, é chegar na casa durante a noite…
são 68 degraus da porta da rua até a entrada do meu quarto!
Por causa de meus poucos olhos, somente a minha ‘poderosa’ (laterna de bateria solar da residência), me salva da escuridão completa. Para todos os lugares que vou, com possibilidade de chegar à noite, levo-a comigo.

 

32- LA PODEROSA- LANTERNA cópia

 

Pauta: O convívio com Beatriz
Pela primeira vez, no Projeto Senha Aberta, posso conviver diariamente com uma das mulheres que participam do projeto. Estamos, as duas, em processos criativos bastante similares e complexos. Eu, do ponto de vista político, ela, do ponto de vista pessoal, como metáfora para entender o mundo.

 

 

Ela é observadora das questões relacionadas ao tempo, ao amor, à sociedade. Questiona o futuro, reflete sofre o ódio, o escuro, a luz. Busca o que está longe e o que está perto.

 

 

Acreditamos, as duas, na retomada da humanidade do ser humano, em seus processos de interação, para somente assim ser possível a transformação social.

 

 

Sobre esse processo, em suas próprias palavras:
“El tiempo, el recorrido, la lectura pretendida de ‘amor a la sabiduría’ (filosofía), la memoria tremenda que nos descubre in-mortales desde la intra-mortalidad…’ forman parte de toda esta rede empática de encuentros maravillosos e infinitos.

 

Contraseña Abierta es como tú, abre y une con entendimiento, gentileza y entereza. Esa inteligencia vibrante de la fuerza del amor vivo en todo lo que existe, ha querido nuestro encuentro para que cada una fortalezca su significado.“

 

 

Vila Cabana, 15.10.2014 (4ª feira)

 

 

1º Movimento

Andante

A música de León Gieco

Alegro

La memória’, de León Gieco, disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=8VEkV88CDUc>

Acesso em: 15 out 2014.

 

 

Sobre a memória, Eduardo Galeano fala: “A memória guardará o que valer a pena. A memória sabe de mim mais que eu; e ela não perde o que merece ser salvo”.

 

 

Vila Cabana, 16.10.2014 (4ª feira)

 

 

1º Movimento  

Andante

Fotografar e entrevistar Susana Lucía Meichrti

 

(33-MATRONIMIA AR 09 10 E 11 cópia

 

Alegro

É incrível o envolvimento de Susana Lucía com o Senha Aberta. Ela faz perguntas e está entusiasmada com o fato de poder participar.

 

Três pessoas, de sua família, ‘desapareceram’ durante a ditadura, mas foram ‘recuperadas’, após grandes sofrimentos, quando, mesmo os advogados contratados para defender os presos políticos eram encontrados mortos, ou também ‘desapareciam’.

 

 

Susana esteve em silêncio, sobre esse assunto, desde o período da ditadura. Agora, parece necessitar falar, falar tudo, pela primeira vez!

 

Sua esperança considera a possibilidade da construção de paz e justiça social.
Acredita em obras que traduzam o respeito à diversidade, solidariedade e cooperação.

 

 

“Para sermos maus, não é necessário fazermos coisas más. É somente não fazermos coisas boas”.

 

 

Afirma categoricamente: “Uma pena, uma dor, um sofrimento compartilhado, é uma dor aliviada. Uma alegria compartilhada é uma alegria, uma felicidade potencializada, aumentada.”

 

 

Creio que o Senha Aberta, para ela, propiciou o compartilhamento de sua dor e, em consequência, a diminuição dessa dor contida por décadas.

 

 

Adágio
Em ditaduras violentas, como foi o caso argentino, o desmantelamento familiar, com prisões, mortes e desaparecimentos, causa profundo isolamento dos indivíduos envolvidos mais diretamente no ‘assunto’, perante o resto dos componentes dessas famílias com posicionamentos políticos diversos.

 

Para Susana Lucía há algo que ficou, irremediavelmente, silenciado, perdido lá atrás.

 

As falas não faladas.

Os dizíveis não ditos.

O silêncio como regra.

 

 

Era ‘vergonhoso’ e ‘perigoso’ ter uma pessoa da família presa ou desaparecida.

Para algumas mulheres, com as quais conversei na Argentina, independente de estarem ou não participando deste projeto, falar sobre esse período revolve sentimentos, medos, sons, cheiros, de um período sombrio de suas vidas. E causa desassossego pensar no que une suas memórias às suas perspectivas de futuro.

 

 

Conceito: Silêncio
Em que não há ruídos, que está em silêncio; que não fala;     que não faz barulho;  que ou aquele que é calado, taciturno, que guarda silêncio; diz-se de ou dispositivo que se adapta ao cano de descarga de veículo automotor a fim de reduzir o ruído das explosões do combustível; silenciador. (HOUAISS, A.; VILLAR, M. S.; FRANCO, F. M. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Objetiva, 2001, p. 2570).

O silenciador é o medo, que, fechando o ‘cano de escape’ – a voz –, por onde nos expressamos isola, mata.

 

Toque de silêncio, disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=iXqxFgfzfrg> Acesso em: 15 out 2014.

 

Cancion del Silencio Leon Gieco.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=5oirv7Qsy-o>

Acesso em: 15 out 2014.

 

 

2º Movimento

Andante

Estudar Julio Cortázar

 

 

Alguns argentinos e argentinas relevantes, no âmbito da Segunda Afinação do Projeto Senha Aberta: Julio Cortázar.

 

34-JULIO CORTAZAR

 

Julio Cortázar (1914-1984).

Um dos maiores escritores da literatura argentina e mundial. Afirma ter sido influenciado pela literatura de Júlio Verne e Edgar Allan Poe, pelas artes visuais, notadamente do surrealismo de Salvador Dalí e Marx Ernest, que, para ele, possibilitam perceber os interstícios.

 

A partir do contato com a Revolução Cubana, compreendeu a diferença entre ser ‘simpatizante de café’, das questões sociais, e de ter uma postura mais comprometida. E, assim, pôde perceber a diferença do que ele chamou de ‘literatura de biblioteca’ e literatura inspirada na rua, na vida lá fora.

 

Influenciou profundamente a literatura fantástica.

 

Em seu conto ‘Histórias de Cronópios e Famas’, ele definiu os Cronópios como os seres ‘abertos’, em profundo movimento interior. Os Famas, os ‘engessados’, rígidos, que somente funcionam com um agendamento de todas as suas ações e sentimentos. Entre os dois existem os ‘Esperanças’ que transitam entre os Cronópios e os Famas. Definidos como ‘alienados’, que nunca tomam posição.

Este livro de Cortázar inspirou o texto do livro “A ciência jurídica e seus dois maridos”, de Luís Alberto Warat.

 

 

Para Cortázar, a democracia somente existe como processo constante, não podendo, nunca, ser uma finalidade em si mesma. Segundo ele, “a humanidade começará, verdadeiramente, a merecer seu nome no dia em que cessar a exploração do homem pelo homem.”

 

 

Trabalho essencial para compreender Cortázar:
‘Cortázar, por Tristán Bauer -Documental (Completo)
’Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Ks7gfWiQ3gU>
Acesso em: 08 mar 2014.

 

 

 

 

Julio Cortázar fala sobre os Cronópios e os Famas (legendas em português)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=pEVPcj9f0mM>

Acesso em: 07 mar 2015.

 

 

 

Entrevista a Julio Cortázar. 1983 – El Juglar/México)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=2bOIv-04-3I>

Acesso em: 06 mar 2015.

 

 

Vila Cabana, 17.10.2014 (4ª feira)

 

1º Movimento

Andante

 Alguns argentinos e argentinas relevantes, no âmbito da Segunda Afinação do Projeto Senha Aberta: Atilio A. Borón

 

Quando falamos sobre a América Latina, necessitamos conhecer e estudar alguns pensadores. Um deles é Atilio A. Borón.

 

Atilio Borón en Dossier, entrevistado por Walter Martínez
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=-7IOpOdTTew>
Acesso em: 17 out 2014.

 

Sobre a dominação cultural: Atilio Borón: ‘Si hay un rasgo que marca al imperialismo es su intento de dominación cultural’.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=YN2UO-4OTRI>

Acesso em: 17 out 2014.

 

 

Vila Cabana, 18.10.2014 (4ª feira)

 

1º Movimento

Andante  

O que cabe no meu pensamento.

Alegro
Yo tengo el corazón puesto sobre el futuro
(Augusto Tamayo Vargas)

 

Yo tengo el corazón puesto sobre el futuro,
puesto en los hijos que de mis hijos vengan,
puesto en el corazón de los que vengan luego,
puesto en los miles que han de vivir mañana.

Tengo puestos mis brazos
en las calles del mundo,
puestos en los hijos que de mis hijos vengan.

Cuando venga hacia la tierra
las mieses desde el aire,
cuando giren los astronautas
en torno de las rosas.

Tengo los ojos puestos
en los números del calendario próximo,
puesto en los hijos que de mis hijos vengan.

Cuando vengan marcando con sus ritmos
el rojo de las fiestas
y tengan en sus manos
tréboles de diez hojas.

Yo tengo los pies puestos
en el camino del tiempo
que se viene
¡Y he de llegar a verlo!

Disponível em: <http://www.webselah.com/yo-tengo-el-corazon-puesto-sobre-el-futuro>

Acesso em: 16 jan 2015.

 

Vila Cabana, 21.10.2014 (3ª feira)

 

1º Movimento

 Viagem de Unquillo à cidade de Córdoba, para conhecer o Arquivo Provincial da Memória (Antiga D2).

 

Pauta: Arquivo Provincial da Memória (APM), antiga D2, de Córdoba.
Localiza-se no centro da cidade de Córdoba, nas proximidades da Catedral, e vizinha do centro de poder, ‘prefeitura’ da cidade.

 

Em Córdoba, a ditadura militar se inicia antes do período conhecido como a última ditadura civil-militar argentina. Oficialmente, a ditadura argentina instalou-se em 24 de março de 1976. Porém, na província de Córdoba, no ano de 1974, uma ação golpista chamada de ‘navarrozo’, derrubou o governo constitucional e montou um aparato repressivo, que atuava de forma orgânica e sistemática para perseguir e aniquilar a oposição política. Essa repressão atingia desde peronistas a militantes comunistas, de estudantes a operários.

 

A D2 – Departamento de Identificações da Polícia foi usada como Centro Clandestino de Detenção e Tortura.

 

Desde 24 de março de 2007, o prédio foi cedido à Comissão Provincial da Memória da Província de Córdoba.

 

No APM funcionam uma biblioteca, um centro de pesquisas e informação, e um arquivo sobre os desaparecidos, além de alguns programas educativos.
Seus funcionários estão determinados a encontrar pessoas desaparecidas e seus descendentes, e resgatar, de forma digna, suas histórias.

 

 

Atualmente, o APM é visitado por pessoas de várias partes do mundo.

 

 

Córdoba, 21.10.2014 (3ª feira)

 

 

1º Movimento

Andante

No APM.

Espaço

As paredes corroídas, com algumas partes em ruínas, causam em mim, uma sensação de caos, porém, ao mesmo tempo, o conceito de ‘arquivo’ coloca frente a frente caos e organização, passado, ação presente e possibilidade de futuro.

Adágio

Sinto-me mal aqui dentro.

Espaço

Ando, observo a luz, os movimentos das pessoas, a relação desse lugar com a vida lá fora, essa vida que passa bem na porta da rua.

Adágio

Este dia foi somente de reconhecimento e observação no APM.

 

 

Vila Cabana, 21.10.2014 (3ª feira)

 

 

1º Movimento

Andante

De volta… tempo de reflexão.

Adágio

 Visitar o APM me faz pensar e repensar questões do Senha Aberta, no que diz respeito à memória. De que memória falamos? Ou melhor, de quais memórias falamos?

 

 

Estela de Carlotto fala da necessidade da memória e da luta: que “Elucidar as tramas do horror, é dar outro passo para derrotar a impunidade que prevalece e ameaça a humanidade.”.

 

 

 Vila Cabana, 23.10.2014 (5ª feira)

 

1º Movimento

Andante

Nova viagem a Córdoba. Destino: APM.

 

2º Movimento

Andante

Fotografar e entrevistar Maria Elba Arce.

Alegro

Maria Elba, que vive entre Vila Cabana e Córdoba, me olha bem nos olhos, enquanto explico o projeto.

Espaço

Nesse processo, de fazer fotos do rosto e entrevistas das mulheres, eu busco cruzar perspectivas, olhares, falas, sonhos, esperanças, dores, alegrias.

Alegro

Maria Elba, na vida a que foi convidada a participar, busca realização pessoal e comunitária, para o crescimento individual e coletivo.

 

 

3º Movimento  

Andante

Fotografar e entrevistar Virgínia Rozza (Vicky).

Alegro

Para Vicky, sua memória está intrinsecamente ligada à alegria e à militância pelos direitos humanos, por espaços circulares para as palavras.

Adágio

Vicky, entre outras mulheres que trabalham aqui no APM, foi prisioneira política aqui mesmo, na antiga D2.

 

Não compreendo como elas conseguem trabalhar no mesmo lugar onde foram presas e torturadas. Não fiz essa pergunta. Deixei-a no fundo das perguntas ‘não fazíveis’, talvez em respeito a elas, talvez por me sentir incapaz de compreender as respostas, quaisquer que possam ser.

 

Ernesto Sabato fala que somente aqueles que sejam capazes de sustentar a utopia estarão aptos para o combate decisivo: o de recuperar quanto de humanidade tenhamos perdido.

 

Nesse momento, prefiro elucidar alguns conceitos.

 

 

Conceito: Alteridade
Natureza ou condição do que é outro, do que é distinto. (HOUAISS, A.; VILLAR, M. S.; FRANCO, F. M. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Objetiva, 2001, p.     169).

Conceito: Humanidade
Conjunto de características específicas à natureza humana; sentimento de bondade, benevolência, em relação aos semelhantes, ou de compaixão, piedade, em relação aos desfavorecidos; qualidade de quem realiza plenamente a natureza humana. (HOUAISS, A.; VILLAR, M. S.; FRANCO, F. M. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Objetiva, 2001, p.     1555).

 

4º Movimento

Andante

Fotografar o estandarte na área do APM.

 

35-Arquivo Provincial da Memória (Antiga D2) III

 

spaço

Fotografo o estandarte junto a algumas ruínas, inscrições nas paredes e outras partes do APM.

Adágio

 

36-35-A-Arquivo Provincial da Memória (Antiga D2) HOMENAGEM AOS DESAPARECIDOS

 

Experiência sofrida, neste ambiente que considero ainda opressor, pois mantém a energia da opressão, da dor e do sofrimento.

 

 

Vila Cabana, 25.10.2014 (sábado)        

                                                                               

1. Movimento

Pauta: Filme – ‘No Habra Mas Pena Ni Olvido’, dirigida por Héctor Olivera.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=hqgmMZN9iKU>

Acesso em: 25 out 2014.

Alegro

Filme baseado na novela homônima, de Osvaldo Soriano, escrita em 1978. A trama relata a luta interna entre peronistas de esquerda e de direita, na localidade de Colonia Vela, com a perseguição aos marxistas, pelo poder local.

 

 

Vila Cabana, 26.10.2014 (domingo)

 

1º Movimento

 Pauta: Filme ‘La noche de los lápices’

Em 16 de setembro de 1976, na cidade de La Plata, um grupo de estudantes secundaristas, de idades entre 14 e 18 anos, foram sequestrados pelas Forças Armadas. Os estudantes lutavam pelo passe estudantil, e a maioria deles participava da União de Estudantes Secundaristas, entre outras organizações sociais e políticas.

 

Alguns relatos foram feitos por Pablo Díaz, sobrevivente da ‘noche de los lápices’,

Disponível em: <http://portal.educ.ar/noticias/La%20Noche%20de%20los%20L%E1pices.pdf>

Acesso em: 26 out 2014.

 

2º Movimento

Pauta: Filme – ‘La noche de los lápices’, direção de Héctor Olivera. Basea-se no livro escrito pelos jornalistas Héctor Ruiz Núñez e María Seoane.

Alegro

A película contém depoimentos de sobreviventes da repressão a estudantes secundaristas da cidade de La Plata.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=gOhkQ7JZV0k>

Acesso em: 26 out 2014.

 

Adágio

Trinta anos depois, Pablo Díaz retorna ao local onde ficou sequestrado por três meses. Seu depoimento:

‘Regreso Al Infierno – A 30 Años De La Noche De Los Lápices’.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=7kOSYPe5CDs>

Acesso em: 26 out 2014.

 

3º Movimento

Alegro

As canções do filme ‘La noche de los lápices’ está disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=8XuREc7NR_w>

Acesso em: 26 out 2014.

 

Adágio

Essas canções, e o filme, me bateram no fundo da alma…  As primeiras cenas do filme são idênticas às cenas de minha própria vida, na Av. Conde da Boa Vista, no Recife, quando a polícia botou carros e cavalos sobre nós, os estudantes que havíamos acabado de sair, em passeata, do Diretório Central dos Estudantes, durante a ditadura militar brasileira.

 

‘Los Lápices siguen escribiendo – Canción para mi muerte’
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=9-hPHm-u8wU>
Acesso em: 26 out 2014.

 

 

Vila Cabana, 27.10.2014 (2ª feira)

 

1º Movimento

Pauta: Filme – ‘La deuda interna’, de Miguel A. Pereira (1988).
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=_IDDPqJ8Kvk>
Acesso em: 27 out 2014.

Alegro

Filme baseado em um conto de Fortunato Ramos.

A história faz paralelo entre a vida simples em uma vila da Província de Jujuy e a Guerra das Malvinas.

 

Pauta: Guerra das Malvinas

As ilhas Malvinas são um paraíso turístico e ecológico , nas proximidades da Argentina, e localizado a 12,8 mil km da Inglaterra.

 

Em 1982, a Argentina vivia uma profunda crise econômica e a ditadura militar estava bastante desgastada, nacional e internacionalmente.

 

Em 03 de abril, como a última tentativa de manipulação da opinião publica e de recuperação do nacionalismo, os militares argentinos invadem as Malvinas.

 

A guerra foi um ‘suicídio’ para os jovens enviados para essa guerra.

 

Para a Inglaterra, perder as Malvinas significava perder ‘seu’ último reduto ‘colonial’, ‘seu’ último paraíso ecológico em ‘seu’ além-mar.

 

A guerra, que durou 75 dias, só acabou em 14 de junho, com a rendição da Argentina. Ao todo, 258 militares britânicos e 649 argentinos morreram no conflito.

 

36-mapa ilhas malvinas- aargetina-inglaterra cópia

 

A Argentina considera seu o território, e esse conflito divide, até hoje, argentinos e britânicos.

Adágio

Os negócios continuam sendo mais importantes que a soberania dos povos!

Adágio

Sobre a guerra das Malvinas: Em noticiário de portugal.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Qg6HYzMBN3g>

Acesso em: 06 abr 2015.

 

Programa de televisão, do SBT, nos fornece um apanhado sobre a guerra das Malvinas.   ‘Nas ilhas Malvinas (SBT Repórter completo)’
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=nRUkLSSvRY8>
Acesso em: 27 out 2014.

 

2º Movimento

Pauta: Filme – ‘Garage Olimpo’, de Marco Bechis (1999).

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=0YTHdRmdcO8>

Acesso em: 27 out 2014.

Adágio

Garage Olimpo foi um Centro de Detenção, Tortura e Morte de Buenos Aires. O filme narra minúcias do terror estabelecido pela ditadura civil-militar argentina.

 

 

Vila Cabana, 28.10.2014 (3ª feira)

1º Movimento

Andante

Viagem de Unquillo a Córdoba.

 

2º Movimento

Andante

Viagem de Córdoba a Alta Gracia.

 

 

37-ROTAS PARA ALTA GRACIA  cópia)

Alegro

Apanho o ônibus aproximadamente às 8h30min da manhã e ele está lotado, basicamente de trabalhadores a caminho das fábricas que existem entre Córdoba e Alta Gracia.
Essa viagem, juntamente com trabalhadores de fábricas, ajuda-me a perceber as relações das lutas dos povos por qualidade de trabalho e vida, e a relação desse tema com o pensamento e as ações do Che Guevara.

 

Segundo Che, “O homem realmente chega ao completo estado de humanidade quando ele produz sem ser forçado por necessidade física e sem vender a si mesmo como mercadoria.”

 

Espaço

 Vou em busca da Casa-Museu Che Guevara. Esta é meu primeiro contato com lugares onde o Che viveu.

 

 

Alta Gracia, 28.10.2014 (3ª feira)

 

1º Movimento  

Andante

Chegada à cidade.

 

38-Mapa parcial COM MUSEU CHE)

 

Alegro

O motorista do ônibus, atenciosamente, explica, com detalhes, como chegarei até à casa do Che.

 

O bairro, de classe média alta, é repleto de jacarandás ‘pintados de azul’. As calçadas da cidade, também azuis, entapetadas e coloridas pelas flores caídas.

 

2º Movimento

Andante

primeiro sinal.

Alegro

O primeiro sinal de que estou chegando ao Museu-Casa Che Guevara é a placa:

 

39-ESTOU QUASE LA! cópia

 

Espaço  

‘Prepare o seu coração, pras coisas que eu vou contar…

Alegro    

‘Disparada’

Eis aqui uma das únicas versões gravadas de Disparada (Geraldo Vandré e Théo de Barros) com Geraldo Vandré cantando. Ela foi gravada ao vivo no Teatro Record de São Paulo, no festival realizado na Record, em 1966, organizado por Solano Ribeiro.

Espaço  

‘Geraldo Vandré – Disparada (Geraldo Vandré cantando)’

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=hU-e4IMpPPk>

Acesso em: 29 out 2014.

 

 

3º Movimento

Andante

‘229 passos’

Conto os passos, um a um, entre a placa “a 100m’ e meu destino: o Museu-Casa Che Guevara.

Foram 229 passos!

A cada passo, uma imagem.

O coração disparado.

Vejo-me nas passeatas.

Vejo Macário

com a camisa do Che.

Cenas e cenas

de minha militância política

desfilam uma a uma…

 

Passos…

imagens.

passos…

imagens…

o Che revolucionário…

sorrisos…

passos…

o Che homem…

suspiros…

passos…

o Che ídolo…
esperanças..
passos…
o Che morto…
imortalidade…
caminhos…

 

Espaço
Essa é a minha maior viagem de toda essa viagem!
De meus passos para dentro de mim mesma, e de dentro de mim para a realidade aqui fora. Esses movimentos são catalizadores. Desconstroem a realidade para novas construções alimentadas pelas memórias, de profundas emoções vividas em 229 passos!

Vivo, profundamente, a ‘demolición/construcción’…

Espaço
Finalmente, estou frente a frente com o museu.

Pauta: Che Guevara

 

40-CHE cópia

 

Ernesto Guevara de la Sierma, o ‘Che’, nasceu a  Rosário, Argentina, em 14 de junho de 1928, e foi assassinado pela CIA, na Bolívia, em  9 de outubro de 1967.

 

Desde muito pequeno tinha sérios problemas de asma, o que fez sua família se mudar para Córdoba. Passavam todos os verões em Alta Gracia, destino bastante comum para pessoas com problemas respiratórios.
Quando tinha 16 anos, seus pais se mudaram para Buenos Aires e Che entrou para a escola de medicina.

 

Em 1951, seis meses antes de concluir o curso, Ernesto, com seu amigo Alberto Granato, viaja pelo continente sul-americano, pois acredita ser necessário ‘conhecer a América Latina além do que estava nos livros’.

 

Iniciaram a viagem numa moto Norton 500 (La Poderosa), que ficou pelo caminho. Continuaram a viagem de carona, de barco e até a pé.

 

Médico, político, jornalista, escritor e, sobretudo, revolucionário. Resignificou a rebeldia e a luta contra as injustiças. É considerado uma das 100 personalidades mais influentes do século XX. Foi um dos líderes da Revolução Cubana. E participou, de 1959 a 1965, da reconstrução do Estado Cubano.

4º Movimento
Andante
Chego ao museu.
Adágio
Os trabalhadores do museu me recebem carinhosamente. Falo do Senha Aberta, e eles me dão liberdade para circular à vontade e fazer as fotos que desejar.

 

Algumas frases do Che:

 

“Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros.”

 

“Sonha e serás livre de espírito… luta e serás livre na vida.”

 

“Os grandes só parecem grandes porque estamos ajoelhados.”

 

“Os poderosos podem matar uma, duas, três flores, mas jamais deterão a primavera.”

 

“Há que endurecer-se, porém sem jamais perder a ternura”;

 

“Lutam melhor os que têm belos sonhos”..

 

“Vou falar, correndo o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário é guiado por fortes sentimentos de amor. É impossível pensar em um revolucionário autêntico sem essa característica.”

 

“O conhecimento nos faz responsáveis.”

 

(38-ASSINATURA DO CHE GUEVARA cópia

 

 

Pauta: Casa-Museu Che Guevara

A casa-museu foi inaugurada em 2001, na Vellaneda 501, Villa Nydia, Alta Gracia, Província de Córdoba.  Guarda reproduções de fotos e objetos relacionados à história do Che. A casa foi uma das moradas de verão da família, quando ele era criança.

 

Informações sobre a Casa-Museu Che Guevara
Disponíveis em: <http://www.altagracia.gov.ar/cultura/museo-casa-del-che.html>
Acesso em: 09 mar 2015.

 

Um resumo interessante da vida do Che, com imagens captadas no museu. ‘Ernesto Che
Guevara museo casa-Producciones Vicari (Juan Franco Lazzarini)’
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=0US7Rz9JK2I>
Acesso em: 29 out 2014.

 

 

42-MUSEO CASA CHE GUEVARA - I - Cópia cópia

Alegro

Fotografo o estandarte na frente da casa; ao lado da escultura ‘O Che menino’; na ‘chama eterna’; ao lado de uma árvore do quintal da casa; e ao lado da escultura do ‘Che sentado’.

 

 

43-MUSEO CASA CHE GUEVARA - I I cópia

 

Alegro
Dentre as várias casas alugadas pela família do Che, durante vários verões, esta casa foi escolhida por oferecer melhores condições para o museu.

 

 

44-MUSEO CASA CHE GUEVARA II cópia

 

Espaço
Discurso do Che: ‘La esperanza de un mundo mejor”’.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=I1S7AEnIvWU>
Acesso em: 29 out 2014.

 

Atahualpa Yupanqui, ‘Homenaje al Che Guevara’.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ye7kZd-rjYc>
Acesso em: 08 dez 2014.

 

Victor Jara – ‘Comandante Che Guevara’
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=xxCjNiaYCnI>
Acesso em: 08 dez 2014.

45-la llama Votiva  cópia

 

5º Movimento
Andante
Retorno à Vila Cabana.
Alegro
Canção sobre Latinoamerica: ‘Homenaje a Latinoamérica a través de una selección de los más destacados artistas contemporâneos:

 

‘De fondo – Canción con todos’ , de Cesar Isella y Armando Tejada Gómez.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=jYwT3ms-pGw>
Acesso em: 29 out 2014.

Adágio
Estou mentalmente exausta!
Projeto as imagens e experiências do dia na tranquilizadora paisagem da Vila Cabana..

 

46-VILA CABANA VISTA DO DEC

Vila Cabana, 29.10.2014 (4ª feira)

1º Movimento
Pauta: Filme – ‘Diários de Motocicleta’, dirigido por Walter Sales.
Relato da viagem feita por Che Guevara e Alberto Granato, pela América do Sul, em
1952.
Dublado. (Português)
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=WhGR-CEfcCA>
Acesso: 10 mar 2015.
Em espanhol.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=5vgTmvEeq04>
Acesso em: 30 out 2014.

 

A última canção do filme: ‘Al Otro Lado Del Río –  Jorge Drexler’.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=YjmKM6ePdOA>
Acesso em: 30 out 2014.

Alegro
 A estratégia da viagem de Che Guevara e Alberto Granato:
“O plano – viajar 8.000 Km em 04 meses.
O método – a improvisação.
O objetivo – explorar o continente latino-americano, que conhecem somente pelos livros.
O Equipamento – a ‘Poderosa’, moto Norton 500, ano 1939.
O piloto – Alberto Granato (Bioquímico. 29 anos).
O copiloto – Ernesto Che Guevara (Faltando três disciplinas para se formar em Medicina.
23 anos).
Data da saída, de Buenos Aires –  04.01.1952.
O que tinham em comum – inquietude, espírito sonhador, incansável amor à vida.

Alegro
Informações da viagem. Dados do filme.


Km 0 – Buenos Aires/Argentina – 04.01.1952.
Km 601 – Miramar/Argentina – 13.01.1952.
Km 1809 – Piedra Del Aquila/Argentina – 29.01.1952.
Km 2051 – San Martín de Los Andes/Argentina – 31.01.1952.
Km 2.270 – Estación de tren de Bariloche/Argentina – 03.02.1952.
Km 2306 – Lago Frías/Argentina – 15.02.1952.
Km 2772 – Temuco/Chile – 18.02.1952.
Km 2940 – Los Angeles/Chile – 26.02.1952.
Km 3573 – Valparaíso/Chile – 07.03.1952.
Km 4960 – Desierto de Atacama/Chile – 11.03.1952.
Km 5122 – Mina de Chuquicamata/Chile – 15.03.1952,
Km 6.932 – Cuzco/Perú – 02.04.1952.
Km 7014 – Machu Picchu/Perú – 05.04.1952.
Km 8.198 – Lima/Perú – 12.05.1952.
Km 8.983 – Pucallpa/Perú – 25.05.1952.
Km 10.223 – San Pablo/Perú – 08.06.1952.
(Aniversário de 24 anos do Che, em San Pablo, em 14.06.1952)
Km 10.240 – Próximo a Letícia/Colômbia – 22.06.1952.
Km 12.425 – Caracas/Venezuela – 26.07.1952.

 

A viagem teve início com a ‘Poderosa’, que ficou pelo caminho. Depois continuaram a pé, de carona, de trem e de barco.

 

Conclusão do Che, ao final da viagem: “Quanta injustiça!”

 

Alberto Granato, em 1960, aceitou o convite de seu amigo Che, e foi viver em Cuba, onde fundou a Escola de Medicina de Santiago de Cuba.

 

2º Movimento
Andante
Eliane Velozo
Alegro
Enquanto o ‘Che’ fazia sua viagem, eu estava navegando meu corpinho na barriga de minha mãe, Nina, no agreste pernambucano, vindo a nascer em 13 de outubro.

 

3º Movimento
Andante
Reflexão sobre o dia da morte do Che.
Adágio
Onde eu estava no dia em que a CIA matou o Che? Estava a quatro dias de completar 15 anos de idade. Ganhei, da tia Lena, um pequenino espelho oval, que cabia na palma da minha mão. Eu carregava a inocência da criança que havia em mim.

O Che somente chega ao meu conhecimento, e ao meu coração, alguns anos depois, nas lutas pela democratização de meu país. Desde então, com sua imortalidade, me acompanha a todos os lugares aonde vou.

 

4º Movimento
Andante
Pauta: Filme – ‘Imagining Argentina’, de Christopher Hanton (2003).
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=p02KFxPHP8E
Acesso em: 29 out 2014.

 

Alegro
A essência do filme é a discussão da necessidade de nossa permanente relação com nossas memórias individuais e coletivas.
Espaço
Cada passo deste projeto é dado para trás e para frente, sendo o que dou para frente duas vezes maior do que o que dou para trás.

 

Vila Cabana, 30.10.2014 (5ª feira)

 

1º Movimento
Alegro

Alguns argentinos e argentinas relevantes, no âmbito da Segunda Afinação do Projeto Senha Aberta: Adolfo Pérez Esquivel.

 

Argentino de Buenos Aires, nascido em 1931, é arquiteto, escultor e defensor dos Direitos Humanos.

No início da década de 70 do século passado, trabalhou junto às Comunidades Eclesiásticas de Base e, em 84, passa a coordenar o ‘Servicio Paz y Justicia’ para a América Latina. É detido, em 1975, no Brasil, no aeroporto de São Paulo, e em 1976, no Equador. Em 1977, é detido, por 14 meses, em Buenos Aires, e permanece mais 14 meses em liberdade vigiada.

 

Em 1980, recebe o Prêmio Nobel da Paz, por seu trabalho pelos Direitos Humanos.

 

“Actualmente es presidente del Consejo Honorario del Servicio Paz y Justicia en América Latina, presidente ejecutivo del Servicio Paz y Justicia Argentina, de la Comisión Provincial por la Memoria de Buenos Aires, de la Liga Internacional por los Derechos y la Liberación de los Pueblos, de la Academia Internacional de Ciencias Ambientales, de la Fundación Universitat Internacional de la Pau de San Cugat del Vallés (Barcelona) y del Consejo Académico de la Universidad de Namur, Bélgica. También es miembro del Tribunal Permanente de los Pueblos, del Comité de Honor de la Coordinación internacional para el Decenio de la no-violencia y de la paz, del Jurado Internacional del Premio de Derechos Humanos de Nuremberg, del jurado del Premio de Fomento para la Paz “Felix Houphouet Boigny” de la UNESCO, del programa de educación internacional ‘Peacejam’, del Consejo Mundial Proyecto José Martí de Solidaridad Mundial, del Consejo Asesor del Canal Telesur y parte del Consejo Directivo del Instituto Espacio para la Memoria (IEM)”.

 

Disponível em: <http://www.adolfoperezesquivel.org/?page_id=1110>
Acesso em: 15 dez 2014.

 

Entrevista Biográfica a Adolfo Pérez Esquivel – Canal Encuentro.  2012.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=0aG4q_JD7IE>
Acesso em: 30 out 2014.

 

Falas de Adolfo Pérez Esquivel:

“Aprendi que no cárcere podia estar o meu corpo, podiam aprisionar-me, era o que tinham feito. Porém eu podia seguir sendo um homem livre se tinha consciência, se tinha a liberdade interior e a resistência. E outra forma de pensar dentro da prisão é não se deixar dominar pelo medo, não resistir dentro da prisão, e se manter íntegro.”

 

“No mundo existem muitos muros, mas os muros mais difíceis de derrubar são os da consciência. Esses são os muros mais terríveis.

 

“Merleau-Ponty fala que um revolucionário não se faz pela ciência, mas sim pela indignação perante as injustiças.”

 

“Há um provérbio antigo que diz: se não sabes aonde vais, retorna para saber de onde vieste”.

 

“Se as pessoas não deixam de sorrir há uma esperança na resistência e há uma esperança de que é possível mudar a situação. Se as pessoas sorriem, elas não estão derrotadas.”

 

“Nunca deixes de sorrir. Apesar de tudo.”

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=0aG4q_JD7IE>
Acesso em: 30 out 2014.

 

2º Movimento
Andante
Pauta: Filme – ‘El Nuremberg Argentino’, dirigido por Miguel Rodriguez Arias (2004).
Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=Azo8eQ7WpeE>
Acesso em: 30 out 2014.

 

Adágio
O filme, entre outras coisas, discute o julgamento dos generais e torturadores argentinos.
Contém depoimentos de ex-prisioneiros políticos.
Faz uma referência importante sobre a Copa do Mundo de Futebol, na Argentina, em 1978, em plena ditadura, e como ela foi usada pelos militares.

 

Trechos do filme:

“Naqueles dias, as hierarquias da igreja, com instituição, decidiram aceitar as barbaridades e acompanhar seus autores.”

 

Discurso de Jorge Rafael Videla na abertura do Mundial de Futebol, em 1978:
[…] “No marco da amizade entre os homens, e sob o signo da paz, declaro oficialmente aberto esse X campeonato mundial de Futebol – 1978. Muito obrigado.”

 

Depoimento de um ex-preso político, sobre a copa do mundo:
“Permanentemente foi possível escutar, como música destinada a ocultar nossos tormentos, a música do mundial, realizado exatamente nesses dias, constitui a música de fundo com a qual foram torturados uma quantidade enorme de cidadãos e cidadãs nesse momento e nesse lugar.” (Declaração de Norberto Liwski).

 

Abertura do Mundial ’78, na Argentina: ‘Canción Oficial. Ennio Morricone’               Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=WQOdSacX1NA>                           Acesso em: 15 dez 2014.

 

3º Movimento
Andante
Futebol e política.
Adágio
Este esporte vem sendo, sempre, usado como válvula de escape, medida ‘religiosa’, de poder e controle social.

 

Sobre futebol e política, o escritor uruguaio Eduardo Galeano tem vastíssima literatura.

 

Galeano, aficionado por futebol, compreende de maneira ampla as relações do poder com este esporte. Alguns de seus pensamentos podem ser vistos na série ‘Eduardo Galeano – Futbolerías’
1/3 – Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=91uos4vJLzo>
2/3 – Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=0w3Lr6-2oVw>
3/3 – Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=TsVCbM5J5DI>
Acesso em: 15 dez 2014.

 

4º Movimento
Andante
Aniversário da primeira eleição democrática pós-ditadura civil-militar na Argentina.

 

47-O sol brilha na bandeira

 

 

Alegro
Hoje é o 31º aniversário da primeira eleição na Argentina, após um das mais sombrias páginas da história da humanidade.
Espaço
Fragmentos de matéria do Jornal O Globo, do Rio de Janeiro, em 30.10.1014: “Em 1983, a ditadura argentina chegou ao fim com a eleição de Raúl Alfonsin”.

 

“A ditadura militar argentina chegou ao fim de 1982 em completo descrédito. A seus fracassos econômicos, sociais e políticos juntou-se a acachapante derrota para os ingleses na Guerra das Malvinas. Foi a gota d’água que fez aparecerem de todos os lados, inclusive das casernas, manifestações pela mudança do regime. Finalmente, no dia 30 de outubro de 1983, quase 18 milhões de argentinos puderam ir às urnas para escolher um novo Congresso, 22 governadores, parlamentares das províncias, prefeitos, vereadores e, o mais importante, eleger livremente, depois de dez anos, o presidente da República.

 

Raúl Alfonsin, da União Cívica Radical, venceu Ítalo Luder, do peronista Partido Justicialista, por 52% a 40% dos votos. Alfonsin, que tomou posse no dia 10 de dezembro daquele ano, iria herdar o poder em um país que enfrentava a pior crise de sua história, com inflação de 500% ao ano e 1,5 milhão de desempregados (15% da força de trabalho). Além disso, havia grande desconfiança na Justiça: milhares de famílias procuravam notícias de seus parentes, inclusive crianças, que morreram ou estavam desaparecidas em decorrência da ‘guerra suja’ empreendida pelas Forças Armadas contra seus opositores.

 

 

Logo no início de seu mandato, Alfonsin apoiou a formação da Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoa (CONAPE), liderada pelo escritor Ernesto Sábato, que investigou os casos de violação dos direitos humanos cometidos pelos governos militares.  A Comissão constatou a existência de 340 campos de prisioneiros por onde passaram 8.960 pessoas que continuavam desaparecidas até a data de apresentação do relatório, num total estimado de 30 mil mortos, entre 1976 e 1982”

 

Disponível em: <http://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/em-1983-ditadura-argentina-chegou-ao-fim-com-eleicao-de-raul-alfonsin-9852597>
Acesso em: 30 out 2014.

 

 

Alguns argentinos e argentinas importantes no âmbito da Segunda Afinação do Projeto Senha Aberta: Ernesto Sabato.

 

Escritor, ensaísta, físico e pintor argentino, nascido em Rojas, província de Buenos Aires, no dia de São João (24 de junho), de 1911, e morreu em Santos Lugares, província de Buenos Aires, em 30 de abril de 2011, 55 dias antes de completar 100 anos.

 

Desde cedo, em sua vida, participou de movimentos políticos.
”El 20 de septiembre de 1984, Sábato entregou ao presidente Raúl Ricardo Alfonsin ‘el informe de la comisión. Ese día, los organismos de derechos humanos convocaron a una concentración para respaldar dicha ceremonia, a la que acudieron cerca de 70.000 personas’”.

 

Entrega do relatório: Ernesto Sabato (1911-2011)
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=IPXkDBP2U8I>
Acesso em: 13 abr 2015.

 

‘Ernesto Sabato – obra e pensamento’
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=FcCPReFTyfA>
Acesso em: 13 abr 2015.

 

Sua obra literária:
Novelas – El túnel: Sobre héroes y tumbas; Abaddón el exterminador.
Ensayos – Uno y el Universo; Hombres y engranajes; El escritor y sus fantasmas e Apologías y rechazos.

 

Seu depoimento sobre a resistência, ‘La resistencia (Ernesto Sabato)’:
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=W3C-VSACBjM>
Acesso em: 13 abr 2015.

 

Ernesto Sabato – Entrevista ‘A Fondo’
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=PJWuXklJ-c4>
Acesso em: 13 abr 2015.

 

Alguns argentinos e argentinas relevantes, no âmbito da Segunda Afinação do Projeto Senha Aberta: Jorge Julio López

 

 

RED- JORGE JULIO LOPES- COM CREDITO  - Cópia

Jorge Julio López, pedreiro, de La Plata, ‘desapareceu’ e reapareceu durante a última ditadura argentina e tornou a ‘desaparecer’ em 2006, em plena democracia argentina, após ter sido testemunha importantíssima no julgamento de torturadores.

 

‘Testimonio de Jorge Julio López antes de desaparecer. Caso Julio Lopez – Casos Policiales’

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=uc617KF_jl8>

Acesso em: 07 abr 2015.

 

Matéria sobre livro publicado com anotações de Jorge Julio López, ‘Visión Siete: Jorge Julio López, memorias escritas’

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=fuc9ske2dy8>

Acesso em: 24 jul 2014.

 

Vila Cabana, 01.11.2014 (sábado)

 

1º Movimento

Andante

Preparação de minha apresentação do Projeto Senha Aberta.

Alegro

Receberemos um grupo de pessoas da comunidade: artistas, fotógrafos, performers, pesquisadores entre outras pessoas, na reunião onde apresentarei meu projeto.

 

Uma preciosidade!

 

Para facilitar minha fala, desenhei mapa geral, marcando os lugares onde o projeto será desenvolvido, e também um pequeno esquema que fala da divisão do poder e os governos ditatoriais.

 

2º Movimento

Andante

A preparação

Alegro

Compro algumas sementes, e preparo salada para os comes e bebes da noite, arrumo a casa, e minha cama, para que esteja bem, caso alguém desejar deitar um pouco.

 

3º Movimento

Andante

Receber as pessoas e apresentar o Senha Aberta.

Alegro

Inicialmente, apresento panorama geral de minha obra artística, passo pelo projeto ‘Sonho Branco – Trilogia’, e depois vou ao Senha Aberta.

 

49-mapa mundi com os oito paises do projeto

 

Distribuo o texto abaixo, do filme ‘Imagining Argentina’, de Christopher Hampton – (Co-produccíon UK- Spaña), para contextualizar a discussão sobre a memória.
Aqui disponho o texto em seu original:

 

“Cuando Orfeo recupera a su esposa del reino de los muertos, del infierno, le advirtieron que de ningún modo podía darse vuelta  para mirarla. El obedeció hasta que finalmente, cuando ya no pudo resistirse al sonido de la voz de su amada que lo llamaba, se volvió, y asi la perdió para siempre.

 

Cuando la ditadura militar cayó en 1983, aqui, en  Argentina, nos dijeron que no debíamos pensar en el pasado. Si, había habido injusticia, y se habían cometido errores, pero si pensábamos en el pasado, nunca superaríamos el dolor, nunca sanarían las heridas.

 

Los generales ya habían cambiado el significado de ‘desaparecido’. Antes de ellos, las cosas desaparecían, la gente desaparecía.  Hablaban de los desaparecidos, de hacer desaparecer a sus enemigos. Habían cambiado el lenguage, y ahora querian hacer desaparecer el pasado. Nos dijeron que no debíamos pensar en el pasado.

 

Pero debemos hacerlo. Es nuestro deber sagrado darse vuelta.”

 

Espaço

Busco clarear as origens, os objetivos e as etapas, além de possíveis resultados do projeto.

 

Alguns questionamentos se referem à minha disposição física e psicológica para executá-lo, bem como as perspectivas, os percursos, os encontros, e desencontros.
O clímax se direciona aos processos do caminhar.

 

As perguntas do projeto, feitas a outras pessoas, como resultado de questões que eu mesma desejo responder, mas não tenho respostas… o desejo de diminuir as distâncias entre as pessoas e a solidão inerente ao ser humano.

 

 

RED- TRIANGULO DO PODER- EXPLICATIVO- PRONTO PARA SITE cópia - Cópia

Quando falei sobre o papel da igreja católica nos processos ditatoriais na América Latina, surgiu também a discussão da esperança, como significante da espera, de estar a postos, simplesmente aguardando. Em última instância, esperar a morte para, finalmente, alcançar o reino dos céus.
Enquanto que na discussão da memória, a ação culminou como fio condutor na construção da esperança.

 

Após vários questionamentos, creio que todos perceberam claramente o projeto.
Algumas colocações acrescentam novas camadas de significados ao meu processo de crescimento e de amadurecimento do projeto, entre elas, as que analisam o papel dominador das corporações que atualmente ditam as regras da sociedade.

 

Alegro

Essa reunião foi fundamental nesse momento do projeto e propicia novos impulsos criativos. Creio que esse é um modelo ideal de encontro por agregar valores ao projeto… acrescentar novas camadas de valores.

Espaço

O ‘Demolición-Construcción’ desenvolve trabalhos fundamentais, aglutinando pessoas, ideias e discursos aqui na Província de Córdoba.

Adágio

Gostaria de passar a semana inteira apresentando o Senha Aberta a diferentes grupos de pessoas!

 

Vila Cabana, 02.11.2014 (domingo)

 

1º Movimento

Andante

O que é para hoje?

Alegro

‘Mastigar’ o encontro de ontem.

 

Fantástico!

 

Esses processos de aglutinar pensadores sobre determinados aspectos da vida e da arte fazem parte das minhas terefas essenciais.

 

Vila Cabana, 03.11.2014 (2ª feira)

 

1º Movimento

Andante

Perguntas e respostas.

Alegro

A maioria das pessoas, que têm contato com o Senha Aberta, fazem perguntas similare: Por que?  Como? Para que?

Espaço

Quem sabe busco a utopia, a diminuição da sensação de exílio… Cruzar e diluir fronteiras, possibilitar a dissolução de nacionalidades e criação de um outro projeto para a humanidade.

 

Para Michel Foucault, “As utopias consolam: se elas não têm um lugar real, pelo menos se expandem num espaço maravilhoso e liso; elas abrem cidades com vastas avenidas, jardins bem plantados, regiões acessíveis, ainda que seu acesso seja quimérico.” (Em Dossiê Foucault, N. 3 – dezembro 2006/março 2007. Organização: Margareth Rago & Adilton Luís Martins).

Disponível em: <http://www.unicamp.br/~aulas/pdf3/19.pdf>

Acesso em: 25 ago 2013.

 

(O trabalho acima pode ser encontrado na Revista Aulas, da UNICAMP. Porém, na última tentantiva feita, não foi possível abrir o link. Por sua importância ele permanece aqui).

Adágio

Outro eu seria possível? Outro mundo? Outra proposta de humanidade, mais igual nas diferenças, mas humanamente humana?

 

2º Movimento

Andante

As zonas de conforto

Conceito: Zona de conforto.
Considero zona de conforto um ‘lugar’ ou ‘situação’ onde a pessoa se sente segura, sem que nenhuma possibilidade de grandes questionamentos possa causar mudanças. Situações onde não importa o que acontece, contanto que não se mude nada. ‘Isso sempre foi assim!’

Alegro

Prefiro ser sempre retirada de minhas zonas de conforto!

Espaço

O Senha Aberta busca, também, tirar as outras pessoas de suas zonas de conforto, para que, somente assim, surjam os movimentos, as transformações. Modificando-se as pessoas em suas individualidades, pode-se cogitar a transformação da sociedade, do mundo. E esse é um trabalho interior… de dentro para fora.

Adágio

Existe um lugar? Existe um não-lugar? O que seria esse não-lugar? Aqui, essa discussão me leva ao caminho das utopias.

Espaço

Talvez o não-lugar seria onde possa não haver fronteiras entre corpo e alma (materialidade e espiritualidade), entre pessoas, cidades, países… Porém, com o atual modelo de globalização, de dominação das grandes corporações, através do modo capitalista de ver e conviver, estamos na viagem inversa.

 

Nesse caso, o não-lugar pode ser a riqueza acumulada por alguns poucos, detentores do capital financeiro e tecnológico, do poder político, jurídico e religioso. E o ‘lugar’ seria outro. Talvez a forma com que este projeto se move proponha respostas a questões irrespondíveis.

 

Alegro

Uma resposta ao “como?”: Caminhando… em movimento.

 

 3º Movimento

Andante

A fé.

Alegro

Quando a esperança, significando fé, pode tornar-se motivo imobilizador?

 

– A fé cristã: a vida após a morte;

– A fé capitalista: a exploração do trabalho do outro como metodologia para a acumulação de riquezas em benefício próprio ou de seus descendentes consanguíneos;

– A fé política: quando entregamos a alguns, supostos representantes sociais, a nossa própria responsabilidade. Essa, atualmente, muito desgastada nos quatro cantos do mundo;

– A fé na liberdade, que é maquiada pelo acesso às novas tecnologias e pelo exacerbado consumismo como um dos poucos objetivos da vida;

– A fé na democracia, que somente existe como processo, nunca como finalidade. Somente são possíveis processos democráticos, em constante movimento de correlação de forças.

 

Espaço

Para mim, como artista, observo, sinto, e crio objetivos que promovam novas percepções do mundo circundante, que cooperem com o pensar crítico, a ação e a transformação.

 

Córdoba, 04.11.2014 (3ª feira)

 

1º Movimento

Andante

Visita ao La Perla

 

52-MAPA ARGENTINO COM PROVINCIAS E COM OS CENTROS DE DETENÇAO  cópia

 

 Pauta: La Perla

Texto informativo do La Perla.

 

“EL TERRITORIO REEPRESIVO EN LA PROVINCIA DE CÓRDOBA ESTABA LA SEDE DEL COMANO DEL III CUERPO DE EJÉRCITO, QUE CONTROLABA LA REPRESIÓN EN 10 PROVINCIAS ARGENTINAS.

 

La red represiva montada tuvo como epicentro al Destacamento de Inteligancia 141 ‘General Irribarren’ que concentraba toda la información, procesaba el trabajo de inteligencia y coordinaba las acciones de las Fuerzas Armadas y de Seguridad en la llamada ‘Comunidad Informativa de Inteligencia’. La red articulaba ‘La Perla’ con ‘Campo de La Ribera’, el ‘D2’, dependencias policiales, militares, penitenciarias y de gobierno.

 

La implementación sistemática del terrorismo de Estado generó una estructura operativa que implicaba la división de todo el territorio nacional en zonas. Esta división permitia tener más capacidad de control a partir de una aceitada cadena de mando. Esta planificación puso en funcionamiento más de 500 centros clandestinos de detención en Argentina, lugares donde el secuestro y la tortura fueron sistemáticos y cuya actividad era oculta pero a la vez ‘un secreto a voces’.

 

*El predio donde funcionó ‘La Perla’ formaba parte de un territorio compuesto por un conjunto de estancias expropriadas en el año 1942 por el Estado Nacional para uso del Tercer Cuerpo de Ejército. Tanto este predio como las zonas aledañas heredan el nombre de la otrora estancia ‘a Perla’.”

 

53-MAPA DE CENTROS CLANDESTINOS DE DENTENÇAÕ DE CORDOBA cópia

 

‘La Perla’, também chamado ‘La Universidad’, situado a 12 km da cidade de Córdoba, na Rota Nacional N° 20, foi o principal Centro Clandestino de Detenção, tortura e morte da última ditadura civil-militar argentina (CCD), fora da zona de Buenos Aires.

 

Por aqui passaram cerca de 3.000 detidos.

 

Instalado em 1975, portanto, antes do golpe de 76, já era usado para deter opositores do governo.

Alegro

Em 24 de março de 2007, o campo de concentração e morte ‘La Perla’ passa a constituir o ‘Espaço para a Memória e Promoção dos Direitos Humanos’, com objetivos, entre outros, de: preservar os edifícios históricos; constituir lugar de memória e homenagem às vítimas do genocídio de Estado; promover a educação em Direitos Humanos, através dos relatos históricos dos fatos ocorridos antes, durante e depois da última ditadura argentina, e colaborar com a justiça nos processos relacionados à violação sistemática dos Direitos Humanos.

 

Atualmente, se busca, na amplidão do terreno de 16.000 hectares, ossos de pessoas que aqui foram torturadas, mortas e enterradas.

Espaço

A grande maioria dos funcionários do ‘La Perla’ são parentes (filhos, sobrinhos e outros) de desaparecidos políticos. Trabalhando aqui, eles amenizam a dor, participando das buscas por informações e as disponibilizando à justiça e ao público em geral.

Adágio

Este lugar.

uma viagem à imensidão do inferno…

a assustadora imensidão do inferno!

Alegro

Há cerca de 15 dias, novas ossadas de pessoas foram encontradas no La Perla.

 

É assustadora a desumanidade dos torturadores que nem sequer dizem onde enterraram os mortos, para que os familiares possam ‘fechar o círculo’…
fechar essa ferida que não sara nunca.

 

Encontrar ossos é uma alegria, por incrível que nos possa parecer.

Espaço

Os lugares de memória têm papel fundamental na luta para que não deixemos que tudo aconteça novamente e na conscientização das pessoas sobre os horrores das ditaduras.

 

Os mortos morrem quando os esquecemos.

Adágio  

O La Perla (Espacio para La Memória, Ex. C. C. D. T. y E. La Perla) produziu uma série de cartões-postais, onde constam depoimentos sobre acontecimentos deste centro de repressão e morte, para que nunca os esqueçamos. Transcrevo alguns:

 

“Segundo o capitão J. C. G. ‘Quando se tortura um detido não se sente nenhum peso de consciência, já que o que se tem em mãos não é um ser humano, é uma coisa’ (Córdoba, dez. 1983)”.

 

“Não ignoramos a Verdade por 30.000 razões”. (Testemunho de Graciela Geuna. Genebra, 1998).

 

“La Cuadra não foi terrível somente pela tortura e pela venda mas também porque sabíamos que estávamos desprotegidos, sabíamos que o resto do país não sabia de nosso sofrimento, nos sentirmos ignorados era o terrível.

 

Esta era La Cuadra, outro mundo, outra Argentina, era outra cara do Mundial, a outra cara da política econômica de Martínez de Hoz, a outra cara da tranquilidade nas ruas… a tranquilidade das tumbas. Sei que não expresso neste relato o que realmente se sentia nessa situação, e sei que talvez não possa expressar nunca.” (Testemunho de Graciela Geuna, Genebra, 09 de julho de 1998).

 

“Uma vez encontrei na sala onde estavam as duchas, que era um lugar bastante grande que servia para guardar material que não cabia nos escritórios, uma revista, em espanhol, porém de origem alemã, onde havia uma análise científica dos resultados obtidos no aspecto psíquico se se sabia combinar a tortura psíquica e física.

 

Havia um diagrama do cérebro, com aros que marcavam as distintas áreas da psique, onde se via claramente as diferentes etapas pelas quais ia passando a pessoa que sofria este tipo de repressão sistemática. Havia uma menção especial sobre a necessidade de obrigar a usar a venda nos olhos. Era um estudo dos métodos aplicados na Alemanha nazi.” (Testemunho de Liliana Callizo. Espanha. Março de 1984).

 

 2º Movimento

Andante

Os hexágonos.

Alegro

A forma geométrica mais perfeita para economia de espaço e união de objetos é a hexagonal.

Por obra da necessidade de descobrir como algumas pessoas sobreviveram ao ‘La Perla’, encontramos no chão um favo (restos de uma colmeia).

Espaço

O significado da perfeição! Da forma de união conceitual e prática que manteve vários prisioneiros políticos vivos, em longos períodos de torturas e sofrimentos.

 

54-SIMBOLOGIA -  UNIÃO E FORÇA cópia

 

Alegro

Esse é um dos mais importantes momentos da visita a este lugar.

 

3º Movimento

Andante

Fotos do estandarte.

Alegro

 

55-LA PERLA I

 

Faço fotos do estandarte: na entrada; junto ao mapa da Argentina onde estão marcados os lugares de prisão e tortura (foram 500 centros de detenção, tortura e morte espalhados por todo o país); Junto à obra de Nicolás Guidugli e Ingeborg Gazi, otimizando a interação do projeto com trabalhos de artistas argentinos; embaixo de uma árvore testemunha da história; e em frente ao painel com fotos e nomes dos desaparecidos

 

56-la perla iii

 

Adágio

O painel de fotos e nomes dos desaparecidos exibe algumas molduras onde estão somente os nomes das pessoas, em um paspatur cinza.

57-LA PERLA II

 

 

As molduras vazias, sem rostos…

essa presença marcante

de uma cor cinza,

ausência-presença,

onde podem caber

todas as cores, todos os gestos.

A presença no vazio…

Isso me chocou profundamente.

 

Em nossa sociedade imagética, uma moldura com um nome conecta, imediatamente, à necessidade de um rosto. Aqui os rostos, em suas não-presenças estão presentes.

 

Essas pessoas desaparecidas pelos algozes, foram reaparecidas na falta da sua fotografia.

 

A infinita pergunta: Quem és tu?

 

58-Y vo quién sos vos cópia

 

Adágio

Se não vi o teu rosto

Também não desejei ver o teu nome.

Fazendo-te rebrotar,

nos nomes e nos rostos

de todos os desaparecidos políticos

de todos os países do mundo!

 

Alegro

No processo de encontrar pessoas desaparecidas, luzes importantes são oferecidas pelas equipes de antropologia forense, que trabalham na identificação de ossos humanos que são encontrados

 

‘Un día en el Equipo Argentino de Antropología Forense – Informe de Gabriel Michi’
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=h41PPJsKZc4>
Acesso em: 04 mar 2015.

 

Como forma de pontuar a dor dos familiares de desaparecidos(as), e a importância do trabalho da equipe de antropología forense, vejamos o resumo do texto de Marta Dillon, sobre sua mãe:

 

“Mi madre fue asesinada el 3 de febrero de 1977, a las 2.05 de la madrugada, en la esquina de Santamarina y Chubut, Ciudadela. Su partida de defunción dice: “Múltiples heridas de bala. NN femenino, delgada, 1,65, cabello rubio teñido”. Nada de sus ojos celestes. Tal vez haya apretado los párpados el instante antes de que la fusilaran. A lo mejor estaba oscuro en la morgue o se habían acumulado demasiados cuerpos o les pareció en vano anotar un dato tan estúpido cuando la poseedora de los ojos celestes estaba muerta y a esas pupilas de agua sobre las que caían sus pestañas como una marea sólo les esperaba la corrupción.

 

Mi madre es ahora, concretamente, un cráneo con pocos dientes, un maxilar asignado morfológicamente, tibias y fémures, radios y cúbitos, clavículas. Seguro me equivoco en la enumeración de los huesos, lo cierto es que su torso continúa desaparecido.

 

Ella, no.

 

[…]Hay algo de lo real que empieza a tomar cuerpo. Mi madre fue asesinada en la madrugada del 3 de febrero de 1977. Yo tenía diez años. Mi hermano Juan apenas dos. Santiago, ocho. Andrés, cinco. Los cuatro te extrañamos, mamá, y hasta ahora hemos hecho lo que pudimos con tu ausencia y tu presencia intermitente.

 

Hay una página de un libro que ella me regaló poco antes del final, está escrita con su letra y dice: “Para Martita, mi compañera, que está aprendiendo a sentir como propias las alegrías y las luchas del pueblo latinoamericano”. […] Lloré como una nena sobre ningún hombro o sobre el de todos mientras los amigos del EAAF me relataban lo que sabían de vos. Amorosamente te rescataron de una fosa común en el cementerio de San Martín. Amorosamente me dijeron “hay un coxal que todavía podría ser de tu mami”, con el mismo amor con que mi amiga Raquel me dijo que quería ser mi velority planner. Un resto de humor negro para salvarnos a todos y a todas de este naufragio en tierra que significa haberte encontrado, mamá.

 

[…]Todas palabras desordenadas y debidas para el entierro que todavía no sucede, ahora que se cumplen 34 años de tu desaparición y apenas un mes desde que volviste de la asfixia bajo la tierra, del anonimato, del consuelo de un rito que arranque de una vez por todas a la niña que sigue aferrada a la ventana esperando que el toc toc de tus plataformas en la vereda te traiga de vuelta.

 

De todo esto y de todo lo que todavía no puedo nombrar se trata haberte encontrado. De un punto final para un texto que voy a seguir escribiendo, para un duelo del que tal vez empiece de una vez a desprenderme.”

 

Texto completo, disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=d9oyUJBycOg>   Acesso em: 10 mar 2015.

 

 4º Movimento

Andante

Visita à Secretaria de Direitos Humanos.

Alegro

Busco, na Secretaria de Direitos Humanos de Córdoba, mulheres que eu possa entrevistar e fotografar.

Espaço

Aqui todos me recebem com atenção e tentam ajudar. Várias pessoas saíram perguntando para as colegas de trabalho: ‘Você nasceu em que ano?’.

Alegro

Encontramos uma pessoa que aceitou participar do projeto!

 

5º Movimento

Andante

Entrevistar e fotografar Liliana Callizo.

Alegro
Liliana compreende, rapidamente, a dimensão do projeto, e está feliz em participar. Ela também conhece todas as canções do projeto, e as canta uma a uma.

Espaço

Sobrevivente do ‘La Perla’, Liliana une sua memória à sua esperança através da luta pela inclusão social e pelos Direitos Humanos.

Alegro

Sua força interior marca-me profundamente.

 

60-MATRONIMIA AR 12 14 E 14 cópia

 

 6º Movimento

Andante

Arquivo Provincial da Memória.

 

61-Fechadura de cela cópia

 

Alegro

Retorno a esse lugar de memória em busca da luz ideal para refazer a foto do estandarte onde conste, ao fundo, a Catedral de Córdoba.
A luz não está boa.

 

7º Movimento

Andante

Compra de discos.

Alegro

Encontro vários discos dos quais necessito para o projeto.

 

8º Movimento

Andante

Retorno, às 15h30min, ao APM, para ver a luz.

 

62-D2-Painel pintado cópia

 

Alegro

Consegui, finalmente, a luz do sol onde eu a queria!

Espaço

Este é, certamente, uma dos momentos mais emblemáticos da segunda afinação do Senha Aberta.

 

63-Arquivo Provincial da Memória (Antiga D2) I - Cópia

 

 Vila Cabana, 05.11.2014 (4ª feira)

 

1º Movimento

Andante

Ressaca.

Adágio

Acordo de ressaca. Essa não é ressaca boa, pois sequer bebi álcool, mas é ressaca do tamanho de meus exercícios psicológicos do dia de ontem… o peso da indignação.

 

Água! Preciso de muita água! Será que todas as águas dos oceanos, passando por dentro de mim, seriam capazes de curar essa ressaca?

 

 2º Movimento

Andante

Fotografar a Sra. ‘J’.

Adágio

A senhora ‘J’, que havia aceitado participar do projeto, agora diz: “Não. Vivo de casa para o trabalho, do trabalho para casa, e não quero participar dessas coisas…

depois distorcem o que a pessoa fala… não!”

 

64-dDEPOIMENTO DA SENHA J  cópia

 

Adágio

O medo que a calou, há 38 anos, quando essa mulher tinha mais ou menos 24 anos de idade, continua silenciando-a hoje. Sua memória está paralisada, repleta de gavetas que possívelmente nunca serão abertas. Ela nunca saberá as surpresas que essas gavetas poderiam lhe propiciar. O poder de transformação lacrado em uma ‘caixa’. A autoridade do medo em pleno processo democrático.

 

Tão perto! Tão longe!

 

 

Conceito: Medo
“Estado afetivo suscitado pela consciência do perigo ou que, ao contrário, suscita essa consciência: temor, ansiedade irracional ou fundamentada; receio; apreensão em relação a (algo desagradável). (HOUAISS, A.; VILLAR, M. S.; FRANCO, F. M. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Objetiva. 2001, p.1879).

Na relação direta com a política, o medo causa aversão a qualquer tipo de envolvimento e pode estar relacionado à negação de declaração de opinião, e até mesmo do pensar.

 

Pauta: o medo

Desmemória/2’, de Eduardo Galeano, por Juliana Biancato

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=wqoFFAacPSg>

Acesso em: 05 nov 2014.

 

Eduardo Galeano, ‘O medo ameaça’ – TV Cultura – Brasil.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Qht0P5ISvaw>

Acesso em: 05 nov 2014.

 

‘Es tiempo de vivir sin miedo’ (legendado). Eduardo Galeano.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=gujK5WEVG8g>

Acesso em: 05 nov 2014.

Adágio

O medo de ter esperança. O medo imobilizador de, ao ter esperança, necessitar mover-se, no sentido de tornar expectativas minimamente possíveis.

 

Se tem esperança de alcançar o reino dos céus… Deve rezar!

Se tem esperança de viver melhor… Deve estudar, trabalhar!

Se tivesse esperança de melhorar o mundo… Deveria participar de atividades transformadoras!

Se tivesse esperança de ser, minimamente, mais feliz…

Deveria questionar-se, buscar respostas!

E…

Estando totalmente imobilizada pelo medo…

Pura ficção!

Alegro

Para mim, ficam os caminhos, nessas experiências com algumas mulheres de minha geração.

 

 

Conceito: Recordar
A palavra ‘recordar’ vem do latim ‘recordis’, e significa tornar a passar pelo coração.

“A memória não está simplesmente no cérebro, mas atravessa o coração. Em inglês, para se dizer ‘de memória’, usa-se a expressão ‘by heart’.”
“A memória é nossa maior amiga e nossa pior inimiga. É nossa melhor amiga quando nos ensina a não voltar a tropeçar na mesma pedra. E a melhor inimiga quando nos convida a preferir a nostalgia em lugar da esperança”

.

Texto extraído de: Eduardo Galeano – ‘Memorias y desmemorias (1/3)’
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=YuImGZLO-hI>
Acesso em: 05 nov 2014.

 

Segundo Agostina Falconi, “Desde que nascemos nosso ser está carregado de luzes capazes de fazer infinitas maravilhas com nossa consciência… a memória se assemelha a uma caixa brilhante…”.

 

Córdoba, 05.11.2014 (4ª feira)

 

1º Movimento
Andante
Lançamento do livro ‘Algo Inaudito Pasa’, de Susana Romano Sued.

 

Alguns argentinos e argentinas relevantes, no âmbito da Segunda Afinação do Projeto Senha Aberta: Susana Romano Sued.

 

Ex-prisioneira política do ‘Campo da Ribeira’, e do ‘La Perla’, em Córdoba.

 

Argentina, formada em Letras Modernas e licenciada em Psicologia, Doutora em Filosofia, professora de Estética e Crítica Literária Moderna da Universidade Nacional de Córdoba, investigadora principal e diretora do Programa Multilateral Interdisciplinar no ‘Centro de Investigación y Estudos Sobre Cultura Y Sociedade’ – C.I.E.S. Poeta, narradora, ensaísta, dramaturga, roteirista e tradutora.

 

Uma das obras fundamentais de Susana Romano Sued é o livro ‘Procedimentos’.

 

Depoimento de Susana Romano Sued

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=SGkrYRESLa0>

Acesso em: 05 nov 2014.

 

Adágio

Ao observar a produção intelectual de Susana, imagino o que perdemos. Quantos poemas, contos, fotografias, pinturas, esculturas, e todos os processos criativos impedidos de brotar, das 30.000 pessoas desaparecidas.

Espaço

Faço dessas informações sobre Susana uma pequena representação de todos que tiveram suas vidas produtivas e afetivas ceifadas na Argentina.

 

Vila Cabana, 06.11.2014 (5ª feira)

 

1º Movimento

Andante

Fotografar e entrevistar Llally Rufino.

Alegro

Entrevista surpreendente! Llally é professora de história e questionadora dos sistemas patriarcais, dentre os quais inclui a ditadura civil-militar argentina.

Espaço

A liberdade está em seu passado e na perspectiva para o futuro. Trabalha com adolescentes, na tentativa da inclusão da história como conhecimento fundamental para a construção sociocultural, e da liberdade como essência.

 

A canção ‘Yo te nombro libertad’ (poema de Paul Éluard, música de Gian Franco Pagliaro, cantada por Nacha Gueverra), apresenta um canto à liberdade, e aqui, a dedico às mulheres deste projeto.

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=HM2FVV0Ansg>

Acesso: 09 abr 2015.

 

Para Llally, participar do Senha Aberta foi “como una pequeña catarses histórica-metafísica.”

 

Vila Cabana, 07.11.2014 (5ª feira)

Alegro

Paul Éluard (Libertad)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=YwXfY0Ist_w>

Acesso em: 07 nov 2014.

 

1º Movimento

Andante

História de mulher.

Alegro

Llally baseia sua vida, a memória de sua vida, na análise do mundo patriarcal e machista de seu núcleo familiar, e da sociedade, e na história da América Latina e do mundo.

 

Sobre a história da América Latina, do patriarcalismo e das mulheres, vejamos ‘Memórias del Fuego’, de Eduardo Galeano.
Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=AC1hLEq5UAg>
Acesso em: 04 set 2014.

 

Depois de perder a mãe, em um certo mês de junho, ela passou por sérios problemas de saúde, e necessitou retirar seu útero, no julho seguinte. Em agosto do mesmo ano, após concluir que viveu insatisfeita com o seu nome de registro, resolveu tecer sua vida na perspectiva do respeito e da honra à memória de seus ancestrais Quéchua, mudando seu nome de Maria Victória para Llally.

 

65-TRIANGULO DA TRANSFORMAÇÃO                                                                   

 Canção que aqui dedico aos povos Quéchua: ‘Solo le pido a Dios’ (em quéchua)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=fJ6AcbmKFlA>

Acesso em: 10 mar 2015.

Adágio

A individualidade perante os sistemas opressores apresenta-se como assunto pertinente neste projeto por serem amalgamados nos processos sociais. Em tempos de guerras e ditaduras, geralmente acirram-se as relações de poder.

 

Vila Cabana, 08.11.2014 (sábado)

 

1º Movimento

Andante

Cerimônia Maia, Guatemalteca, dedicada aos ancestrais.

Alegro

 

66-EDGAR CALEI- CERIMONIA MAIA NO DIA 09 cópia

 

Realizada pelo artista guatemalteco Edgar Calei, esta cerimônia reflete, com profundidade, a relação de povos originários da América Latina com suas ancestralidades, onde desenvolvem-se ações de conexão com a natureza que se contrapõe à realidade da dominação do consumismo.

Espaço

As oferendas (luz, através de velas coloridas, e frutas frescas) e o resgate de outras formas de sociedade são fundamentais nesta cerimônia Maia.

 

67-ANCESTRALIDADE MAIA- RESIDUOOS cópia

 

Pauta: Edgar Calei

Multiartista. Nasceu em Chixot San Juan Comalapa,  uma comunidade Maya Kaqchikel da Guatemala. As origens das práticas artísticas que desenvolve são desencadeadas por suas experiências e cosmovisão do povoado onde nasceu.

 

Vila Cabana, 09.11.2014 (domingo)

 

1º Movimento

Andante

Interação do Senha Aberta com a obra de Edgar Calei.

Alegro

A obra de Edgar Calei dialoga com meu projeto, essencialmente ao discutir o vislumbrar de formas diversificadas de construção do imaginário alimentadas pela ancestralidade.

 

Maravilha!

 

 2º Movimento

Andante

Faço fotos do estandarte junto aos ‘resíduos’ da cerimônia Maia, realizada ontem.

Espaço

parafina das velas queimadas faz, no chão, vários caminhos… caminhos que necessitam ser trilhados!

 

68-ESPIRITUALIDADE MAIA cópia

 

Alegro

Essa interação foi essencial para revigorar minha espiritualidade, depois de tantos dias vivenciando realidades cruentas da ditadura argentina.

 

3º Movimento

Andante

Gravação do livro de Susana Romano Sued.

Alegro

Graciela de Oliveira lê para mim, gravando, o livro ‘Procedimentos’, de Susana Romano Sued. Estamos na leitura, além de Graciela, eu, Edgar, Beatriz e Leonardo.

Adágio

A cada intervalo da leitura fazemos alguns comentários, geralmente ligados à profundidade do texto e às minúcias das palavras usadas. Sem saída, o leitor/ouvinte sente-se comprimido entre paredes e grades. Entre torturadores…

 

Córdoba, 10.11.2014 (3ª feira)

 

1º Movimento

Andante

Visita à casa de Susana Romano Sued e Mario Bomheker.

Alegro

Os presentes: ganho de ‘regalos’ vários livros de Susana, que levarei para amigos do Brasil, e também uma cópia do filme ‘Cuentas del alma – Confissiones de uma guerrillera’, filme dirigido por Mario Bomheker. Ele mesmo me entrega a cópia do precioso filme, e de primeira mão!

 

 2º Movimento

Andante      

Pauta: Filme – ‘Cuentas del Alma. Confesiones de una guerrillera’, de Mario Bomheker – Trailer

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=79mmAHrjN48>

Acesso em: 05 abr 2015.

 

Documentário sobre Miriam P., uma guerrilheira que foi capturada em 1975, em enfrentamento com o exército, e para salvar sua vida aceita declarar, publicamente, seu arrependimento, em uma conferência de imprensa.

Alegro

Pauta: Filme – ‘Con un oído en el pueblo y otro en el evangelio’ (Documentário sobre Monsenhor  Angelelli), de Mario Bomheker. Sobre o Monsenhor Enrique Angelelli, bispo de La Rioja.

 

Em cinco partes, disponíveis em:

1/5 – Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Fpgzrdq3eOw>

2/5 – Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=upBoxpx2UFE&feature=youtu.be>

3/5 – Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=lJp9FlS3noU&feature=youtu.be>

4/5 – Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Lz__fFNNB4&feature=youtu.be>

5/5 – Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=gXakePHMMfU&feature=youtu.be>

Acesso em: 10 mar 2015.

 

Discute a igreja comprometida com as causas sociais e políticas, demonstrando ser possível, mesmo em períodos ditatoriais, realizar trabalhos libertários, apesar da possibilidade da tortura e eliminação física dos protagonistas da luta.

 

Vila Cabana, 10.11.2014 (2ª feira)

 

1º Movimento
Andante
Fotografar e entrevistar Maria Angélica G. Parodi.

Alegro

Foi importante encontrar Maria Angélica, pois já estou nos meus últimos dias dessa fase do projeto, na Argentina.

Adágio

Suas feridas continuam abertas, porque dois de seus irmãos, inclusive um de 16 anos, foram desaparecidos durante a ditadura. Angélica expressa sua memória e esperança na busca e construção dos ideais de seus dois irmãos.

Adágio

A procura incessante e incansável por algo que pode ter sobrado deles, além, é claro, dos ideais nos quais eles acreditaram e que ela busca resgatar, dia após dia. Suas falas são carregadas de amor e emoção. Alegro

Nós nos emocionamos juntas, nos levamos a um lugar-não-lugar. Talvez a uma roda onde todos estão presentes. Eu me sinto próxima, ligada a ela e aos seus, por uma incessante  irmandade. É a dor compartilhada, para minimizar a dor.

Alegro

Ela fala da última vez que viu seu irmão mais novo, quando seu pai pediu para ele abandonar, por um tempo, a luta, ao que ele respondeu: “E como vou poder olhar para vocês?”

 

A ditadura o considerou culpado: A culpa dele é de tentar construir um mundo melhor para todas as pessoas.

 

69-matronimia ar 15 e 16 cópia

 

 

2º Movimento

O estandarte do Demolicion/Construcción.

Alegro

Interagir com esse espaço de liberdade e criação e essencial para o Senha Aberta.

 

70-no demolicion construcci´pion cópia

 

Vila Cabana, 12.11.2014 (4ª feira)

 

1º Movimento

Andante

Arrumar as malas.

Despedidas das pessoas da residência.

Alegro

Jantamos todos juntos. Estreitamos laços familiares.

 

Vila Cabana, 13.11.2014 (5ª feira)

 

1º Movimento

Andante

Despedida silenciosa dos cachorros da casa.

 2º Movimento

Andante

Saída de casa, às sete da manhã, de carona, para o aeroporto da cidade de Córdoba.

 

3º Movimento

Andante

Despedida de Graciela.

Um pedaço de mim, vai.

Outro pedaço de mim, fica.

Vivo toda

par

ti

da!

 

4º Movimento

Andante

Voo de Córdoba a Buenos Aires.

 

 5º Movimento

Andante

Plaza de Mayo. Refotografar as Madres.

Alegro

O dia está ensolarado. Deixo a minha bagagem no centro de Buenos Aires (guarda-malas), e sigo para a Praça de Mayo.

 

71-Madres de Plaza de Mayo cópia

 

Espaço

Como se todos os dias, de todos esses anos desde a primeira vez que as Madres circularam nessa praça, fossem cheio de luz e sol! Hoje, mesmo sabendo que dias chuvosos são lindos, posso dizer que o dia está lindo!

Alegro

Finalmente, faço as fotos que desejei fazer.

 

72-CIRCULANDO! CIRCULANDO!- MADRRES cópia

 

Site de informações sobre as Madres de Plaza de Mayo:

Disponível em: <http://www.abuelas.org.ar/>

Acesso em: 19 nov 2014.

 

6º Movimento

Andante

Viagem de Buenos Aires a Belo Horizonte. Saída: 22h05min. Chegada: 01h15min, do dia 14.11.2014.

 

 Belo Horizonte, 14.11.2014 (6ª feira)

 

Andante

Chego em casa. Essa minha casa-casa, entre tantas outras casas que tenho mundo afora.

Espaço

Segundo o grande pensador Antônio Cândido, ‘O socialismo é uma doutrina triunfante’. (Eele explica que todas as conquistas dos trabalhadores, ao redor do mundo, são fruto do socialismo).

 

Outros links para Los Hermanos:

 

Mercedes Sosa.

Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=yJAOZ4bPGMA>

 

Elis Regina.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=0Gue812Dm4k>

 

Diego El Cigala y Andrés Calamaro.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=OdeQCujiJMI>

 

Alfredo Zitarrosa.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=55Mk-_DhQq8>

 

Pedro Aznar.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=CASgQ5FMGdU>

 

Bïa et Lhasa de Sela.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=V-_xzh2f5UM>

Jota.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=3qh5bmTVhjw>

 

Acesso em: 05 set 2014.

 

 

Outras canções:

Victor Jara – Preguntitas Sobre Dios (Atahualpa Yupanqui)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=L_l4L8pfSyI>

Acesso em: 10 mar 2015.

 

Dércio Marques – Duerme Negrito (Atahualpa Yupanqui)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=BFWPLhgNiv8>

Acesso em: 10 mar 2015.

 

Ángel Parra – Atahualpa Yupanqui – ‘Volver a los 17’

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=DYuVjnjTAPI>

Acesso em: 10 mar 2015.

 

‘Camino del indio’ – Angel Parra (Atahualpa Yupanqui) 1992)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=tNI4f28K2is>

Acesso em: 10 mar 2015.

 

Marie Laforêt – ‘Le Tengo Rabia Al Silencio’

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=rSLFDGwlzPo>

Acesso em: 10 mar 2015.

 

Mercedes Sosa, Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento e Gal Costa ‘Volver a los 17’

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=bm3lZG1MTJs>

Acesso em: 23 jul 2014.

 

09 Charly Garcia- ‘Los dinosaurios’

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=CR614AG-FUo>

Acesso em: 11 abr 2015.

 

Victor Heredia – Coraje

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Ck9T5NuxvoM>

Acesso em: 13 abr 2015.

 

Sobre a união da América Latina:

Mercedes Sosa – Canción con todos.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=icrCSlBGkl0>

Acesso em: 23 jul 2014.

 

Beth Carvalho – Eu Só Peço a Deus (Solo Le Pido a Dios)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ePUF9qyPX4I>

Acesso em 23 jul 2014.

 

Atahualpa Yupanqui & Ángel Parra – El último recital 1992 (completo).

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=gFBTmjt6ULA>

Acesso em 23 jul 2014.

 

Soledad Bravo – ‘Hasta siempre Comandante Che Guevara’

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=c3Cec-bzj0Y&list=RDc3Cec-bzj0Y#t=0>

Acesso em: 06 abr 2015.

 

Teresa Parodi – ‘Maria Pilar’

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=S6Dx8sWWrRM>

Acesso em: 11 abr 2015.

 

 Filmes:

 

‘Made in Argentina’ (1987) Dirigido por Juan Jose Musid

Discute o retorno, após 10 anos, de exilados políticos, residentes em Nova York, a lugares de memória em Buenos Aires.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=iaCgjse6qik>

Acesso em: 10 abr 2015.

 

‘Cronica de una fuga’ (2005). Dirigido por Israel Adrián Caetano.

Narra a história real de fuga de presos políticos do regime militar argentino.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=EgFVYwdb9aQ>

Acesso em: 09 abr 2015.

 

‘La historia oficial’ (1985). Dirigido por Luis Puenzo.

Sobre uma professora que descobre a verdadeira história argentina e sua relação com as Madres de Plaza de Mayo.

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=4jDedNY6Cq0>

Acesso em: 25 out 2014.

 

‘Awka Liwen Rebelde Amanecer’, de Osvaldo Bayer (2010).

Sobre os povos originários.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=W-DdcqFoNjc>

Acesso em: 07 abr 2015.

 

‘O Segredo dos seus Olhos’ (2009) – Dublado em português. Dirigido por Juan José Campanella.

O enredo tem como pano de fundo a ditadura militar argentina, e como ela deu liberdade a criminosos comuns em troca de ‘serviços’ com os presos políticos.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=QplBkNNacI0>

Acesso em 11 abr 2015.

 

‘Kamchatka’ (2002). Dirigido por Marcelo Piñeyro – Legendas em Português.

História contada a partir dos olhos de uma criança, cujos pais militantes estão fugindo dos militares.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=EoXkBFmVMrQ>

Acesso em: 10 abr 2015.

 

Canção final do filme>  ‘Palabras para Julia’ – Paco Ibañez.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=C7Zsb0Y8Tpg>                        Acesso em: 25 out 2014.

 

‘No Habra Mas Pena Ni Olvido’. Dirigido por Hector Olivera (Baseado em novela de Osvaldo Solado). Perseguição a comunistas em uma pequena cidade argentina. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=hqgmMZN9iKU>

Acesso em: 25 out 2014.

 

‘¿Onde Está América Latina?’ (2005). Dirigido por Pedro Dantas.

Sobre o FMI na América Latina. E, em especial, na mais europeia das cidades fora da Europa: Buenos Aires. Apresenta, também, informações valiosas sobre os Povos Originários da Argentina.

Disponível em: <https://vimeo.com/12649029>

Acesso em: 06 abr 2015.

 

‘Lo Pasado Pisado’. Dirigido por Gustavo Santi. Ganhador da Palma de Ouro – Festival de Cinema do México. Baseado em fatos reais. Sobre um torturado que reencontra seu torturador 20 anos depois, em Los Angeles.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=h_Wq5mujgQ4>
Acesso em: 09 abr 2015.

 

‘La Deuda interna’. Dirigido por Miguel A. Pereira.

Baseado em conto de Fortunato Ramos. É um retrato da realidade política e econômica da Argentina nos sete anos em que durou a ditadura, e a Guerra das Malvinas.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=_IDDPqJ8Kvk>

Acesso em 10 abr 2015.

 

Alguns livros recomendados:

 

WALSH, Rodolfo. Operação Massacre. São Paulo, Cia. das Letras, 2010.

TIMERMAN, Jacobo. Prisioneiro sem nome, cela sem número. Rio de Janeiro, Codecri, 1982.

COMISSIÓN  NACIONAL SOBRE LA DESAPARICIÓN DE PERSONAS. Nunca más: Informe de la Comisión Nacional sobre la Desaparición de Personas. 8ª ed. Buenos Aires, Eudeba, 2013.

GALEANO, Eduardo. Futebol ao sol e à sombra. Porto Alegre, L&PM, 2002.

YUPANQUI, Atahualpa. El canto del viento. Buenos Aires, Nueva Editorial Universitária, 2012.

LOPES, Hector Gerónimo. Atentamente, Che. Buenos Aires,  La Minga, 2014.

SUED, Susana Roman. Procedimiento (Memoria de La Perla y La Ribera). Córdoba, El Emporio, 2007.

PINA, João. Condor. Rio de Janeiro, Editora Tinta-da-China, 2014.

OBRA COLETIVA.  Habitar el grito (Poesia y Memória em La Perla). Córdoba, Pan Comido Poesia y Espacio para la Memoria La Perla, 2012.

 

Lista de 10 livros memoráveis da Argentina, publicados no século XX,  informe da Agência Argentina de Notícias.

Disponível em: http://homoliteratus.com/10-livros-de-escritores-argentinos-que-voce-precisa-ler/

Acesso em: 27 out 2013.

 

Alguns discos recomendados:

Armando Tejada Goméz – ‘Álbum duplo’

Atahualpa Yupanqui – ‘Tierra Querida’

Elis Regina – ‘Falso Brilhante’

Jorge Drexter – ‘ECO²

León Gieco – ‘Bandidos Rurales’; ‘Verdaderas Canciones de Amor’. Em Argentina’.

Rally Bario Nuevo – ‘Circo Criollo’

Sui Generis – ‘Sí o Sí’

Victor Heredia – ‘Marcas’.

Outros links:

 

‘O Tempo e o Modo’, com Eduardo Galeano (2012).

Sobre futebol, capitalismo, diversidade, a questão da mulher, etc. (Legendas em português).

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=u6IINz8oZlo>

Acesso em: 16 jan 2015.

 

Série de entrevistas, ‘Somos Memória’ – Canal Encuentro. Teresa Parodi.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=D1i5yzUckpg>

Acesso em: 11 abr 2015.

 

Adriana Puiggrós (2013).

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=GDP7Vtd3rnM>

Acesso em: 11 abr 2015.

 

Carlos Somigliana.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=e77OkA_SbfE>

Acesso em: 11 abr 2015.

 

Norman Briski.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=lNBq3qckMNw>

Acesso em: 11 abr 2015.

 

Lila Pastoriza.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Tgnm6wVlhKQ>

Acesso em: 11 abr 2015.

 

Daniel Divinsky.

Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=YbABNfLDBmQ>

Acesso em: 11 abr 2015.

 

Miriam Lewin.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=4gl_1ONJp_0>

Acesso em: 11 abr 2015.

 

Fundações, instituições, associações e outras:

 

Arquivo Provincial da Memória. Córdoba. Disponível em: <www.apm.gov.ar>

Registro de instituições Sociais da Província de Córdoba. Disponível em> <http://www.apm.gov.ar/sites/default/files/Registro%20de%20Organizaciones%20Redes.pdf>

 

Centros Clandestinos de Detenção na Argentina. Disponível em: <http://www.taringa.net/posts/info/1279648/CCD-Centros-clandestinos-de-detencion-Como-y-donde-funci.html>

 

Fundación Atahualpa Yupanqui. Disponível em: <www.fundacionyupanqui.com.ar>

 

Fundación Adoptar. Disponível em: <http://www.adoptar.org.ar/2011/07/las-madres-del-panuelo-inmaculado/>

 

 O Circo da Vida/El Circo de La Vida
(Roberto ‘Tato’ Iglesias)

 

É necessário retomar novamente, sem medo e sem preconceitos, o tema da revolução. Uma revolução que, necessariamente, tem que partir desta realidade, aceitando que vivemos em um sistema capitalista, devemos pensar, atuar e animarmo-nos a viver a partir de outros paradigmas. Não somente dizendo, mas fazendo, buscando coerência entre a palavra e o gesto, colhendo a paciência impaciente nessa construção.

 

E temos que ir todos, sem discriminações: os intelectuais e os artistas, os aleijados, os mudos e os cegos. Os que podem e os que não podem.

 

É nos dar ânimos. Acendermos foguinhos. Recuperar os ideais. Ter sempre acesas as luzes do circo da vida.

 

Ainda que os palhaços estejam tristes, a corda dos trapézios remoídas e a lona remendada, o circo da nova vida deve continuar.

 

Está em nós.

Está em nós.

Está em nós.

 

Segundo José Saramago: “A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o visitante sentou na areia da praia e disse: ‘Não há mais o que ver’, saiba que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que já se viu, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.”.

 

‘Si se calla el cantor’

Mercedes Sosa & Horacio Guarany (1972)

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=xm9sIAW39o0>

Acesso em: 11 abr 2015.

 

Apoiam este projeto:

Arquivo Nacional, Memórias Reveladas. Rio de Janeiro. Brasil;
Câmara Municipal de Grândola. Grândola. Portugal;
Casa da América Latina. Lisboa. Portugal;
Encontros da Imagem. Braga. Portugal;
Albertina Malta. Pesquisadora. Recife. Brasil;                                                   Demolicion/Construcción. Córdoba. Argentina;
Arquivo Provincial da Memória. Córdoba. Argentina.

 

 

Eliane Velozo.

Belo Horizonte, 23 de maio de 2015.

Eliane Velozo  é fotógrafa*, escritora, multiartista, e produtora cultural.
Formada em Comunicação Visual (UFPE. Recife. Brasil), e Mestra em Fotografia (UIC.Chicago. EUA).
*Membro do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Pernambuco.